domingo, 22 de julho de 2012
TRÊS MOMENTOS EM MIL CORAÇÕES
Aconteceu, primeiro, quando eu me deitei de costas no chão frio. Fiquei ali parado, absorto, simplesmente a contemplar o céu. Hipnose de um azul intenso, profundo, eu finalmente conseguia me concentrar no céu. Daí comecei a ver os detalhes, as nuances, os contrastes que sempre estiveram ali e eu, envolvido numa correria sem fim, meio ou início, atropelado por uns e a atropelar outros, acalmei meu coração já que agora a visão era estética de pura estática. Um céu que abraça pássaros, aeroplanos, nuvens, tempestades, que tudo reflete e faz refletir. Estava ali o tempo todo, um tipo raro da maior complexidade envolta na maior simplicidade e disponibilidade. O céu das asas deltas e das andorinhas, dos paraquedistas e dos urubus, dos deuses e das marias do céu.
Depois, foi quando eu me postei, hipnotizado, em frente ao mar. Horas se passaram, homens e mulheres passaram, passou a fome e o presente ia naturalmente virando passado. O mar que a muitos assusta e amedronta, que é o sustento de tantos, tragédia e descanso de aventureiros e desesperados, com suas profundezas, sua vida própria, expandindo-se em ondas crescentes e ritmadas, magia e estratégia líquida e certa. Eu que desci produndamente em mergulhos solitários justamente por não conhecer o limite dessa profundidade, que visitei cidades submersas com suas igrejas e cemitérios, eu que era recebido, envolto e devolvido por criaturas marinhas imaginárias, eu agora voltava a boiar em segurança, com os olhos fechados e a pele ficando novamente seca pelos raios de sol.
Por fim, eu penetrei a floresta fechada de minhas impressões, lugar que em segundos transformava o dia em noite, com seus troncos imensos, folhagens de incontáveis tons de verde, os ventos e a umidade que congelavam minhas veias e dificultavam minhas passadas. De olhos fechados, eu andava e não estava só. Sentia-me conduzido por mãos macias e pequenas que me desviavam de buracos e que, calmamente, esperavam eu ultrapassar as complexas armadilhas que os troncos retorcidos caídos montavam. Lugar de ar puro e habitat de animais perigosos, senti minha mão se soltar de minha estrela guia. So então, quando fiquei sozinho e os medos se dissiparam, pude ver uma luz no fim daquela vereda, que não era saída nem chegada, era simplesmente minha travessia.
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