quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

QUARTA LISTA – 5 MÚSICAS POPULARES BRASILEIRAS

Amigos leitores e eleitores, cumprindo a promessa, essa é a quarta e última lista, que completa o rol das minhas vinte canções brasileiras favoritas (pelo menos nesse momento da minha vida, eis que, provavelmente daqui a um tempo elas mudem, por duas razões: a mpb é muito rica em quantidade e qualidade e eu sou uma metamorfose ambulante, como diria o meu xará Paul Rabbit, que já chamou o Raul muitas vezes, para criar e descarregar diversas coisas!) Ok, a partir de hoje, conto com a sua participação, votando em três canções que mais gostar dentre as que comentei. Independentemente das posições de preferências nas votações individuais, cada uma delas receberá um ponto e, ao final, as mais citadas levarão o título de 1°, 2° e 3° lugares nas três músicas do blog PALAVRAS GERAES. Abaixo, antes da apresentação comentada das cinco últimas, vem a relação completa das vinte. Caso não tenham lido ou queiram reler meus comentários sobre todas as canções, rolem a tela e encontrarão as outras três relações. Isso dito, viva São Benedito, boa leitura e hasta la vista!

Ah, ia me esquecendo: cada pessoa poderá escolher apenas três músicas e é bom que se apressem, pois a votação se encerrará assim que atingir um milhão de votos!!!

A MOÇA DO SONHO – Edu Lobo – Chico Buarque
ÁGUAS DE MARÇO – Tom Jobim
AS APARÊNCIAS ENGANAM – Tunai - Sérgio Natureza
AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PARA MIM – Roberto Carlos - Erasmo Carlos
COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ – Gonzaguinha
CAIS – Milton Nascimento – Ronaldo Bastos
CHEGA DE SAUDADE – Tom Jobim – Vinícius de Moraes
CHORO BANDIDO – Edu Lobo – Chico Buarque
DEPOIS DOS TEMPORAIS – Ivan Lins – Vitor Martins
ESSA MULHER – Joyce – Ana Terra
ESTÁCIO HOLLY ESTÁCIO – Luiz Melodia
EU E A BRISA – Johnny Alf
LIGIA – Tom Jobim
O MUNDO É UM MOINHO - Cartola
OCEANO – Djavan
PARA VER AS MENINAS – Paulinho da Viola
QUANDO O AMOR ACONTECE – João Bosco – Abel Silva
ROSA – Pixinguinha – Otávio de Sousa
SAMPA – Caetano Veloso
SOL DE PRIMAVERA – Beto Guedes – Ronaldo Bastos


AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PRA MIM – Roberto Carlos - Erasmo Carlos

Não há como negar: as canções do Rei embalaram momentos importantes em minha vida. Os primeiros encontros, férias de verão, festas, comemorações e por aí vai. Segundinho, seu filho, tem um programa na Nativa FM, às 5 da matina, com o nome dessa música, onde revela passagens interessantes e toca os maiores sucessos da consagrada carreira do pai. Admirador e conhecedor profundo do Rei, às vezes surpreendem-me algumas canções dele que ouço com mais atenção ou com arranjos diferentes dos originais. Alcançar ou fazer sucesso é relativamente fácil, mas manter-se no topo durante cinco décadas é para poucos. Roberto é um ícone, uma referência. Grande parte dos artistas, independentemente de estilo ou idade, admite influências dele. Caso algum produtor resolva, será possível lançar uma caixa com mais de cem gravações de suas músicas feitas por outros artistas. Além das baladas românticas, importante registrar, também, a qualidade das músicas escritas apenas pelo Erasmo, onde a influência do rock clássico é latente, aliás o Tremendão está super em forma. Há um mês atrás, assisti à uma apresentação dele com uma banda incrível na Fundição Progresso, na Lapa, ao lado do Maurinho, meu amigo de fé e irmão camarada. E tem mais, o rei sabe o que faz, por mais que o critiquem, ele já disse: ‘não vou mudar, esse caso não tem solução.’ Afinal: são muitas emoções!!!


ESSA MULHER – Joyce – Ana Terra

Conheço inúmeras e fantásticas canções na mpb em homenagem às mulheres mas, para mim,‘Essa mulher’ é a número 1. Lançada de forma inédita no excelente lp ‘Elis, essa mulher’, de 1979, foi gravada pela autora Joyce no ano seguinte, no disco ‘Feminina’. São duas gravações excepcionais, a primeira mais densa, emocional, com o piano fender de César Camargo e a orquestra brincando com a voz de Elis na segunda parte. Mais técnica e purista, a versão de Joyce é igualmente linda, pois ela faz um contracanto na linha de guitarra base em cima da proposta de voz e violão na abertura da música que é muito sutil, depois a música cresce com o arranjo de cordas. A letra de Ana Terra é um poema, um passeio pela complexidade que é a cabeça de uma mulher dona de casa e dona do mundo, simples e sofisticada ao mesmo tempo e que ‘acha tudo natural’.


ESTÁCIO HOLLY ESTÁCIO – Luiz Melodia

O nome desse artista já diz tudo! Gosto muito do estilo-Melodia de compor. Entendo que ele criou uma grife muito própria e autêntica de escrever canções, nada parecida com qualquer outra escola ou tendência. Exemplo disso é a canção ‘Ébano’, que o projetou nacionalmente, no Festival Abertura da Rede Globo, em 1973, mesmo ano em que lançou o lp ‘Pérola Negra’, aliás, uma beleza de nome para um disco. Destaco, ainda, ‘Fadas’, em parceria com Renato Piau e ‘Magrelinha’, que misturam influências de samba, jazz, mpb, maxixe e estilos regionais ricos e interessantes. Luiz Melodia rompeu as fronteiras do morro de São Carlos, onde nasceu, e se tornou um artista-cidadão do mundo, pela forma de cantar, de compor e se comportar. 'Estácio Holly Estácio' é de uma elegância espetacular, sutileza na harmonia e letra, uma homenagem às suas origens e uma vestimenta moderna ao samba carioca. Sempre muito bem acompanhado de ótimos músicos, no começo da carreira, Melodia morou um tempo em Brasília, onde se apresentava em casas noturnas, como o Odara, bar muito legal onde tive a oportunidade de ouvir “muita gente boa que pôs o pé na profissão de tocar um instrumento e de cantar, não se importando se quem pagou quis ouvir, foi assim”.


O MUNDO É UM MOINHO – Cartola

Quanto mais ouço as músicas de Cartola, mais fico impressionado como pode um senhor que, aos 66 anos, gravou o primeiro de seus quatro discos e, tendo concluído apenas o estudo primário, escrevia letras rebuscadas com tamanha sofisticação e estilo. Isso é próprio dos grandes compositores, sobretudo os que escrevem samba de enredo a partir de determinado tema histórico ou em homenagem a alguma personalidade. ‘As rosas não falam’, ‘Acontece’, ‘Basta de clamares inocência’ e ‘O Sol nascerá’ também figuram entre as grandes composições populares de todos os tempos. Não vou abordar as supostas linhas de explicação para quem ou em que condições essa música teria sido escrita, pois ela é tão extraordinária melodicamente que supera qualquer vertente analítica e, insisto, desnecessária. Gosto muito das versões de Beth Carvalho, clássica e a de Cazuza, captada em seu último cd, emocionado e delirando de febre. Seu Agenor ganhou o apelido de Cartola pelo chapéu que usava para se proteger do cimento, quando pedreiro, entre tantas outras profissões que teve. Sérgio Porto o descobriu e o revelou em 1956, quando era lavador de carros em Ipanema, sempre simpático e alegre. Na gravação original de Cartola para essa obra, a primeira parte é cantada à capella, apenas com um violão guia bem ao fundo e dá pra ouvir os sons que vazam quando ele se mexe, respira e arranha a garganta. Que sensibilidade do produtor ao manter essa tomada original, sem edição ou cortes, pois o regional entra na segunda parte e proporciona um clima de pureza e elegância.


SAMPA – Caetano Veloso

Caetano é um artista extraordinário e sua obra se destaca pela complexidade temática, pela extensão em estilos e pela audácia nas abordagens estéticas de sua música. Coerente com a proposta a que se submeteu de não fazer concessões, transitou com competência pelos festivais, misturou baião com bossa nova, criou a tropicália e manteve o frescor de sua carreira sempre acompanhado por músicos novos e criativos. ‘Sampa’ é uma declaração de amor à modernidade do concreto, um registro de protesto à fumaça e ao povo oprimido nas ruas, do garoto do interior que se intriga e que descobre o paradoxo do moderno e do rústico. A estranheza de quem encarou frente a frente a cidade e chamou de mal gosto o que viu cai por terra quando cruza a Ipiranga com São João e o coração fala mais alto. São Paulo recebeu justas homenagens de Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa, Eduardo Gudin, Demônios da Garoa e Ultraje a Rigor, mas ‘Sampa’ é um capítulo à parte na história musical da cena paulistana.

9 comentários:

  1. Oceano, Qdo o amor acontece e Sampa. bjs Rê

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  2. - Eu e a Brisa
    - O mundo é um moinho
    - Lígia
    Deus t abençoe.

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  3. -ÁGUAS DE MARÇO – Tom Jobim
    -COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ – Gonzaguinha
    -CAIS – Milton Nascimento – Ronaldo Bastos
    Bjs,Boas Festas,ANE

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  4. A MOÇA DO SONHO – Chico Buarque – Edu Lobo
    DEPOIS DOS TEMPORAIS – Ivan Lins – Vitor Martins
    LIGIA – Tom Jobim

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  5. AS APARÊNCIAS ENGANAM – Tunai - Sérgio Natureza
    COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ – Gonzaguinha
    PARA VER AS MENINAS – Paulinho da Viola
    Bjs, Mônica

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  6. CAIS – Milton Nascimento – Ronaldo Bastos
    CHORO BANDIDO – Edu Lobo – Chico Buarque
    O MUNDO É UM MOINHO - Cartola

    Escolha difícil dentre tantas músicas maravilhosas de sua lista !

    Abs !
    Tonho

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  7. ESTÁCIO HOLLY ESTÁCIO – Luiz Melodia
    COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ – Gonzaguinha
    QUANDO O AMOR ACONTECE – João Bosco – Abel Silva

    Lindas as minhas músicas. Já ganharam, já ganharam!

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  8. O mundo e um moinho
    Cais
    As canções que vc fez pra mim

    Na verdade a lista e nota dez.Ficaria com
    mais da metade
    Um abraço
    Zé (Ane)

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  9. SOL DE PRIMAVERA
    COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ
    LIGIA

    Difícil essa escolha...

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