sexta-feira, 16 de março de 2012
DA SÉRIE: COISAS QUE ME AZUCRINAM – PARTE 1 - A GRAMA
Fico indignado quando vejo uma placa de: NÃO PISE NA GRAMA. Conto até dez, pois dá vontade de pisar é na placa. Explico: quer coisa mais natural pra se pisar do que grama? Grama foi feita pra ser pisada. Pisar em grama é bom demais da conta. Ela existe pra isso. Se não pisada sua existência carece de sentido, não se justifica. Detalhe: não estou falando dessas gramas especiais japonesas, cheias de frescura, frágeis, que não aguentam chuva, frio ou trotes de filhotes de galgo. Falo das gramíneas, divulgadas pelas revistas agropecuárias especializadas, que constituem o mais importante grupo de plantas daninhas herbáceas: grama-batatais, capim-canela, capim-oferecido, rabo-de-burro, amargoso, pé-de-galinha, grama-de-burro, sapé e capim-navalhão, entre outras. São resistentes e ótimas de se pisar. Mas aí, vem o fiscal todo importante e manda pregar a maldita placa. Ninguém pisa, trata de desviar, crime inafiançável, cadeia pros pisadores de grama. Eu posso com isso? Fico imaginando um sujeito desses num clube de golfe, sofrendo ao ver aquela imensidão de grama bonita, aparadinha, em desníveis planejados estrategicamente e sendo pisada por todo mundo, levando bolada, tacos de ferro arrancando tufos sem piedade. O sujeito tem ataque de histeria com rigidez catatônica. Sente-se ema e quer enfiar a cabeça num daqueles buracos. O golfista dá aquela tacada sensacional, ouve-se, em afinado coro, o público bradar a última das vogais e sair, em comitiva, atrás do tigrão-da-floresta de plantão. Nessa maluquice sem fim que virou a vida da gente, no limite do limite, penhasco de um lado e abismo do outro, a melhor coisa a fazer é tirar os sapatos de couro e borracha a nos isolar das raízes, a nos entupir de radicais livres. Livre-se deles. Depois, caminhar, lentamente, descontraidamente, pisando naquela grama gostosa, úmida do orvalho matutino, fria nas noites de inverno das nossas almas inquietas, um merecido mergulho na piscina daquela criança ingênua e franca que habita nossos sonhos e que nos incita a sermos felizes de novo. Em tempo: agora falando sério, não precisa sair chutando placas, mas não deixe de caminhar na grama, valeu?
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Nossa Marcinho,quando ,você citou sobre a grama orvalhada, me dei conta que nem ando mais descalça,e como fazia bem,caminhava até em pedras e nem percebia,imagina numa graminha macia,preciso mudar meus hábitos,gostei,bjs
ResponderExcluirnas demais tudo bem, mas em capim-navalha eu não recomendaria.
ResponderExcluirAliás, o primeiro a pisar na grama é o sujeito que pregou a placa rs...
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