domingo, 18 de março de 2012
DA SÉRIE: COISAS QUE ME AZUCRINAM – PARTE 2 – A FILA
Essa, com certeza, você já viu e teve aquela reação meio raiva, meio graça, meio espanto. Situação: FILA DE CINEMA. Entediado com o reality show de cada dia que, apesar de versátil, cultural e profundo, às vezes cansa, daí o sujeito vai ao cinema e leva mulher, sogra, cunhada, filhos e os amiguinhos que foram passar o fim de semana. Sabe aquele programão em família, domingo no shopping, várias salas de cinema, lançamento blockbuster, energia exaltada, o leitor visualizou a cena. Muito bem. Nosso amigo posiciona, estrategicamente, um representante em cada uma das filas. Para quê? Lógico, se dar bem, ganhar tempo, levar vantagem em tudo, lei de Gerson, certo? Esse hábito ridículo é de uma cretinice sem tamanho, para mim é de uma mediocridade e burrice estupendas. Há uma linha divisória de comportamentos éticos difíceis de serem tipificados claramente, que guardam relevantes situações e que constituem motivo de atenção das pessoas sensatas e educadas. Estou falando de lixo jogado pela janela do carro, uso do celular em locais fechados, a espera elegante de que todos saiam antes de se entrar no elevador, e por aí vai, mas esses temas serão abordados oportunamente. Voltando à cômica cena, o senhor cérebro vai pagar para todos, os ingressos serão comprados em única vez, mas cada um vai avançando enquanto conversam, dão piscadinhas, mandam beijos, os mais distantes enviam torpedos informando que a fila deles está mais ligeira, ficam se monitorando em sintonia e atualizando o status da missão. Trata-se de operação delicada, importante, que exige concentração, mas, ao mesmo tempo, uma performance que transmita naturalidade e harmonia, praticamente uma evolução de escola de samba parada em frente aos jurados, fazendo bonito pra ficar bem na fita. Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência sabe que, estatisticamente, filas andam praticamente juntas, nos bancos, no trânsito, no supermercado e, até para solteiros desesperados, a fila anda. Por essa máxima, evidente que os espertinhos chegarão juntos até à faixa amarela do caixa e ouvirão, ao mesmo tempo, a tão esperada senha libertadora daquele suplício: o famoso ‘próximo da fila’. Aí vem a melhor parte. Num passe de mágica, simetricamente, dirigem-se todos para a fila do provedor financeiro que irá compensar o esforço concentrado da comunidade com o tão esperado ingresso. Alegria geral, os incautos se abraçam, riem e, cientes da estratégia bem executada, preparam-se para a próxima etapa: a fila da pipoca.
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Um cantinho para os acompanhantes seria uma boa, menos poluído, diminuindo inclusive o tamanho da fila, ou porque não distribuir, uns vão esperar na fila do cinema, outros pra fila da pipoca, lógico quando o indivíduo já tem tamanho e idade pra isso.bjs
ResponderExcluirhe, he, he... essa foi das boas!
ResponderExcluirAi que alívio! Pensei que tinha nascido sem pavío, passei dos 50 ou só eu tenho pavor a falta de educação? Agora estou feliz, kkkkkkk... Valeu! Beijussssss... ENE.
ResponderExcluirAguardando o texto sobre: jogar lixo pela janela do carro, entrar no elevador sem esperar as pessoas saírem e NÃO CONVERSAR NO CELULAR EM LUGARES ONDE EU ESTIVER PRESENTE..KKK
ResponderExcluirbj
Eu jurei para mim mesma que NAO ia fazer QUALQUER comentário nos vários textos seus. Mas, depois das meias lupo e do desafinado capitao nascimento, a ignorância da fila me obriga a dizer: sen-sa-sio-nal sua eloquencia simples e coesa. Estou perplexamente impressionada. Quando eu crescer quero ter um pouquinho desse talento. Aplausos de pé para você. MR.
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