domingo, 4 de março de 2012

A VEZ DO BRASIL MUDAR A VOZ DO BRASIL

Durante muitos anos o famoso bordão anunciava: ‘em Brasília, dezenove horas’. Depois mudou para: ‘Sete horas em Brasília’. Aí, direto e reto, entra ‘O Guarani’, ópera de Carlos Gomes, adaptada para ritmo de samba, forró, choro, roda de capoeira, bossa nova, moda de viola e até techno! Pronto. Isso dá um desânimo no pacato cidadão, sobretudo quando se está preso no engarrafamento, sem áudio cd, naquela dependência agradável do rádio amigo de quase todas as horas, menos de sete às oito da noite. Transmissão obrigatória em todas as rádios brasileiras, à exceção das mídias via internet e tv por assinatura, ‘A Voz do Brasil’ é um antiviagra, um paralisante crioterápico, um parafuso com a ponta virada pra cima na entrada da porta à espera de quem vai ao banheiro às três e meia da manhã. Ninguém ouve mais esse martírio. Nem motorista de táxi. Nem vigilante de obra, com aquele radinho que tem capa de couro. O sujeito desliga na hora, pois a pilha está cara. Criado em 22 de julho de 1935 por Armando Campos, para popularizar as idéias do amigo Getúlio Vargas, inicialmente chamou-se ‘Programa Nacional’ e era apresentado por Luiz Jatobá. De 1938 a 1962 passou a se chamar ‘A Hora do Brasil’. Por determinação do presidente Médici, a partir de 1971 recebeu o nome de ‘A Voz do Brasil’. Depois o artigo foi retirado e permanece até hoje: 'Voz do Brasil'. Em 1995, entrou para o Guiness Book como o programa de rádio mais antigo do Brasil e é, também, o noticiário mais antigo entre as rádios do Hemisfério Sul. Quem não acredita, pode conferir no wikipedia, que não me deixa mentir sozinho. Apesar da veiculação obrigatória imposta pelo Código Brasileiro de Telecomunicações para todas as rádios brasileiras, algumas delas, da capital paulista e, paradoxalmente, do estado do ditador gaúcho, amparadas por liminares, estão desobrigadas de sua transmissão. Estatisticamente, cidades das regiões norte e nordeste são as que mais ouvem o programa, provavelmente pela falta de informativos diários de política, economia e cultura e da massificação de rádios regionais que priorizam a grade com musicais populares. Entendo que a sociedade precisa se atentar para discutir e excluir resquícios do período da ditadura militar que restaram impregnados no cotidiano brasileiro, entre eles voto e horário político obrigatórios e a manutenção, por parte de órgãos oficiais, da ocupação de espaços estratégicos importantes na mídia. Do ponto de vista prático, único, da comunicação, o programa não se justifica mais, tamanha a rapidez com que as notícias e divulgações oficiais são apresentadas e atualizadas na internet em tempo real e, mesmo, nas redes de televisão por assinatura. Dificilmente haverá situações em que o governo mantenha reservada alguma notícia a ser divulgada, de forma inédita, às sete da noite. Há recentes discussões sobre a obrigatoriedade de transmissão do programa, inclusive com projeto de lei na pauta de votação para os próximos meses. Infelizmente, essa flexibilização considera apenas a possibilidade de alterar o horário de início do programa para as 19, 20 ou 21 horas em rádios particulares não educativas. Rádios de concessão educativa, públicas, legislativas, comunitárias e estatais permaneceriam com a obrigatoriedade normal. Há espaço de alterações pontuais para rádios particulares que desejem transmitir jornada de futebol no horário de 19 às 22 horas, mas com o prévio consentimento de órgãos competentes. Acho que as alterações deveriam ser mais radicais e efetivas. Penso que deveria haver um rodízio semestral entre todas as rádios de uma mesma cidade, por todo o país, de forma que apenas uma delas transmitisse o programa diariamente. Com isso, seria preservado o direito àquele cidadão que desejasse continuar ouvindo o programa e o estado continuaria a divulgar ações e informações pertinentes às várias esferas do executivo, legislativo e judiciário que utilizam o programa. Com a palavra, organismos sociais, representantes das mídias e o povo brasileiro, com sua voz, a voz do Brasil!

2 comentários:

  1. Pois é, Paulo ... agora imagina a minha cara e de mais alguns milhões de paulistanos que ouvem a Rádio Sulamérica Trânsito que dá altas dicas de opções de caminhos , rotas de fugas, comunicação de acidentes ao entrar a Voz do Brasil , justamente às 19 hs.... horário de RUSH.... brincadeira... ô lôco meu...

    Pior do que isso... só horário de verão.... xi... vai dar polêmica...

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  2. Eu prefiro me abster(ou seria abster-me?) de comentário. Assuntos políticos, de pouca ou muita importância, andam entristecendo meu coração.
    bj

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