domingo, 13 de maio de 2012
A CULPA NÃO É DAS MÃES
Mamãe mandou eu bater nesse daqui, mas como eu sou muito teimoso eu vou é bater nesse daqui! Essa brincadeira poderia ser usada perfeitamente pelo Anderson Silva ao se referir à própria mãe. Embora desobediente e respondão como qualquer adolescente de plantão, decidiu levar à sério e acatar as orientações maternas, daí saiu batendo em todo mundo e hoje é um ídolo e respeitado campeão mundial, mas conservou a voz infantil para deixar a mamãe bem impressionada. Injustamente, algumas mães são acusadas de escravizar seus filhos, mantendo-os presos e podando-lhes a liberdade. Às vezes elas erram a mão na fina e complexa linha divisória da educação que acolhe, testa e prepara o filho em conceitos de liberdade e independência para as batalhas da vida. Por coincidência de data e destino, neste ano o dia das mães caiu justamente no treze de maio, dia consagrado pela princesa Isabel ao abolir a escravatura. Hilária a figura da mãe judia, super protetora e repressora, personagem recorrente utilizada por Woody Allen e magnificamente caracterizada no filme 'Contos de Nova Iorque', quando aparece no céu de Manhattan dando conselhos sobre mulheres e casamento. Isso irrita e ridiculariza o filho diante da multidão que, dividida, apoia e reforça as cobranças da mãe ou questiona a interferência indevida da velhinha. Para qualificar a tão almejada vaga no serviço público que representa estabilidade e segurança o concursando diz que 'o emprego é uma mãe'. Ameaçado e posto sob a mira dos ataques americanos, o ditador iraquiano reagiu com veêmencia ao mostrar a sua convicção estratégica e, respaldado pelo poder bélico, disse que seria travada a 'mãe de todas as batalhas'. Outra situação muito comum é aquela em que o sujeito fica sem saída, pressionado e sem saber exatamente o que fazer, não resiste e solta a pérola: eu quero a minha mãe! Sem entender as razões que levaram sua mãe a abandoná-lo ainda criança, anos depois John Lennon escreveu a belíssima e intensa música 'Mother' para registrar as dificuldades emocionais que passou, já que ao reencontrá-la e prestes a retomar o relacionamento ficou marcado para sempre ao se despedir e vê-la atropelada do outro lado da rua. Nos estádios, o inconsciente coletivo da multidão se revela sem pudor e sem condescendência para desqualificar o adversário ou o juiz atacando-lhes justamente a pobre e inocente progenitora, com os mais impropérios palavrões. Sigmund Freud criou a expressão 'Complexo de Édipo' ao se referir à fase da infância quando os meninos são apaixonados pela mãe. A origem do tema vem da lenda grega que originou a história de 'Édipo Rei, escrita por Sófocles': Laio, rei de Tebas, foi advertido de que uma maldição iria acontecer, pois o próprio filho o mataria e se casaria com a mãe. Ao nascer, abandonado pelo pai no Monte Citerão e com um prego em cada pé, Édipo sobreviveu, foi salvo por um pastor e adotado pelo rei de Corinto. Ao saber da previsao, Édipo foge da cidade pois achava que a tragédia se daria com seus pais adotivos. No caminho, provocado, brigou e matou Laio, sem saber que era seu pai. Voltando à cidade natal, casou-se por acaso com Jocasta, sua mãe biológica, com quem teve quatro filhos. Durante uma peste, ao consultar o oráculo, Jocasta e Édipo descobrem a verdade, ela comete suicídio e ele fura os próprios olhos por ter estado cego e não reconhecer a própria mãe. A tragédia inspirou Igor Stravinsky a compor um oratório e a banda americana The Doors a escrever a música The End. Sem intenção predeterminada, a crônica começou em tom de comédia e terminou dramática, mas foi a forma que encontrei, nada tradicional, admito, para homenagear as mães em seu dia. Felicidades!
sábado, 5 de maio de 2012
POLÍTICA E ECONOMIA, DAS JURAS AOS JUROS
Neste espaço o leitor acompanha, em sua maioria, abordagens e análises relacionadas a temas culturais, mas o título já antecipa, a pauta hoje está relacionada à política e economia. Com frequência ouço pessoas dizerem que não se interessam por política. Entendo perfeitamente essa opção, fruto do desgaste ligado a escândalos de corrupção, tráfico de influência e falta de ética, mas há um equívoco ao se confundir política com políticos. Acompanho diariamente esses assuntos, pois as discussões e decisões do presente conduzem e definem nossa situação futura, afinal queremos e buscamos estabilidade e crescimento. O país precisa urgentemente de uma reforma política estrutural que dê suporte ao presidencialismo de coalizão. Não se chega ao poder sem composições partidárias, ainda que muitas delas tenham linhas programáticas divergentes. Isso é democracia, convivência de opostos, com foco e respeito ao eleitor que dá voz e voto a seu representante. Atualmente existem quase trinta partidos e o ambiente político, com suas complexidades e interesses, se perde e se corrompe na falta de regras e de coerência. Na guerra diária por espaço, os partidos naninos se unem e se fortalecem num conjunto esquizofrênico e desarmônico de idéias para brigar com aqueles grandes, mais coerentes e realistas pela experiência e história traçadas. O Brasil precisa de uma reforma política com regras claras e definidas, partidos com estruturas consolidadas nos estados e municípios, com muitos anos de formação e serviços prestados aos cidadãos, representatividade e fidelidade partidária. Entendo que o país não comporta nem precisa mais do que cinco ou seis partidos. Precisamos, ainda, acabar com o voto obrigatório para qualificar melhor nossos representantes. Berço da democracia, os Estados Unidos têm dois partidos grandes, que se revezam na disputa do poder. Desobrigada de votar, pouco mais de quarenta e cinco por cento da população sai de casa e exerce o seu direito na decisão. A baixa adesão não traduz a leitura de desinteresse ou desinformação. O eleitor está mais preocupado é com a economia, isso é que faz a diferença. Quando morei lá, pude constatar que, a cada dez páginas dos principais jornais, oito abordavam economia e apenas duas cobriam política. Aqui no Brasil, graças à visão dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso que, juntos, inauguraram a modernidade paterna conjunta ao criar o Plano Real, o país começa a colher os frutos da estabilidade monetária. Mantida e consolidada no governo Lula, a economia brasileira cresceu e hoje se destaca entre as oito potências do cenário mundial e a tendência é melhorar ainda mais pelo enorme potencial de exploração de energias alternativas, produção agrícola e recursos naturais. Nas últimas semanas, estamos acompanhando a queda de braço da presidenta Dilma Roussef e equipe com os banqueiros na bem formatada estratégia político-financeira para derrubada dos juros e lucros bancários. Estava difícil entender e aceitar bancos oficiais e privados cobrando dezesseis por cento de juros ao mês no cartão de crédito num cenário de inflação de seis por cento ao ano. Até os tradicionais agiotas particulares e os escritórios de factory sentiam-se intimidados com tamanha ganância. Ficamos todos surpresos e satisfeitos com as manchetes de que os bancos, em apenas uma semana, baixaram os juros do cheque especial de quase nove para pouco mais de três por cento ao mês. Essa dinâmica de cortes e ajustes deve impulsionar ainda mais a economia e atrair a ocupação de espaços dos consumidores em suas demandas por mais produtos, serviços e qualidade de vida. Em ondas de realismo e otimismo, espero que os movimentos de melhoria caminhem na direção de mais investimento em educação e cultura, pilares básicos e fundamentais para que os brasileiros usufruam de forma consciente desse círculo virtuoso que se apresenta e que finalmente trará dias melhores para todos.
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