sábado, 5 de maio de 2012
POLÍTICA E ECONOMIA, DAS JURAS AOS JUROS
Neste espaço o leitor acompanha, em sua maioria, abordagens e análises relacionadas a temas culturais, mas o título já antecipa, a pauta hoje está relacionada à política e economia. Com frequência ouço pessoas dizerem que não se interessam por política. Entendo perfeitamente essa opção, fruto do desgaste ligado a escândalos de corrupção, tráfico de influência e falta de ética, mas há um equívoco ao se confundir política com políticos. Acompanho diariamente esses assuntos, pois as discussões e decisões do presente conduzem e definem nossa situação futura, afinal queremos e buscamos estabilidade e crescimento. O país precisa urgentemente de uma reforma política estrutural que dê suporte ao presidencialismo de coalizão. Não se chega ao poder sem composições partidárias, ainda que muitas delas tenham linhas programáticas divergentes. Isso é democracia, convivência de opostos, com foco e respeito ao eleitor que dá voz e voto a seu representante. Atualmente existem quase trinta partidos e o ambiente político, com suas complexidades e interesses, se perde e se corrompe na falta de regras e de coerência. Na guerra diária por espaço, os partidos naninos se unem e se fortalecem num conjunto esquizofrênico e desarmônico de idéias para brigar com aqueles grandes, mais coerentes e realistas pela experiência e história traçadas. O Brasil precisa de uma reforma política com regras claras e definidas, partidos com estruturas consolidadas nos estados e municípios, com muitos anos de formação e serviços prestados aos cidadãos, representatividade e fidelidade partidária. Entendo que o país não comporta nem precisa mais do que cinco ou seis partidos. Precisamos, ainda, acabar com o voto obrigatório para qualificar melhor nossos representantes. Berço da democracia, os Estados Unidos têm dois partidos grandes, que se revezam na disputa do poder. Desobrigada de votar, pouco mais de quarenta e cinco por cento da população sai de casa e exerce o seu direito na decisão. A baixa adesão não traduz a leitura de desinteresse ou desinformação. O eleitor está mais preocupado é com a economia, isso é que faz a diferença. Quando morei lá, pude constatar que, a cada dez páginas dos principais jornais, oito abordavam economia e apenas duas cobriam política. Aqui no Brasil, graças à visão dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso que, juntos, inauguraram a modernidade paterna conjunta ao criar o Plano Real, o país começa a colher os frutos da estabilidade monetária. Mantida e consolidada no governo Lula, a economia brasileira cresceu e hoje se destaca entre as oito potências do cenário mundial e a tendência é melhorar ainda mais pelo enorme potencial de exploração de energias alternativas, produção agrícola e recursos naturais. Nas últimas semanas, estamos acompanhando a queda de braço da presidenta Dilma Roussef e equipe com os banqueiros na bem formatada estratégia político-financeira para derrubada dos juros e lucros bancários. Estava difícil entender e aceitar bancos oficiais e privados cobrando dezesseis por cento de juros ao mês no cartão de crédito num cenário de inflação de seis por cento ao ano. Até os tradicionais agiotas particulares e os escritórios de factory sentiam-se intimidados com tamanha ganância. Ficamos todos surpresos e satisfeitos com as manchetes de que os bancos, em apenas uma semana, baixaram os juros do cheque especial de quase nove para pouco mais de três por cento ao mês. Essa dinâmica de cortes e ajustes deve impulsionar ainda mais a economia e atrair a ocupação de espaços dos consumidores em suas demandas por mais produtos, serviços e qualidade de vida. Em ondas de realismo e otimismo, espero que os movimentos de melhoria caminhem na direção de mais investimento em educação e cultura, pilares básicos e fundamentais para que os brasileiros usufruam de forma consciente desse círculo virtuoso que se apresenta e que finalmente trará dias melhores para todos.
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