QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL – FOUR WEDDINGS AND A FUNERAL
Diretor: Mike Newell – 1994
Atores: Hugh Grant – Andie MacDowell
Como o nome já antecipa, há realmente quatro casamentos nessa excelente comédia romântica, uma de minhas favoritas. Cinema europeu de qualidade, bem diferente do estilo americano de filmar, foi muito premiado, tem roteiro inteligente, ótimo timing de diálogos e piadas sutis, trilha musical incrível com Sting, Elton John, entre outros. Charles, londrino, solteirão, bonito e charmoso, numa das recepções se apaixona por Carrie, americana linda, misteriosa e irreverente. Ela surge de tempos em tempos apenas nos casamentos e o deixa inseguro, transtornado e feito um tímido garotinho sem ação. A química entre o casal é perfeita, aliás, aí está o segredo de uma comédia romântica de sucesso, a escolha e direção dos atores principais; o público tem que se emocionar e ficar torcendo para os dois, independente do que façam e se ficarão juntos ou não. Destaco uma cena hilária: desanimado com os vários desencontros naquela relação indefinida, Charles não resiste aos assédios da fila de pretendentes e resolve se casar. No meio da cerimônia, a americana reaparece sem ser convidada e o deixa todo transtornado, tremendo e andando de um lado para o outro na sacristia. Ritual na ponta da língua, o padre pergunta se há alguém que saiba de algo que possa impedir o casamento. O irmão dele se apresenta para ‘depor’. Detalhe: ele é surdo-mudo. Fala gestual, decidido, começa a esclarecer e convencer Charles de que aquilo tudo é um grande erro, que será infeliz, pois ama outra pessoa. Igreja lotada, clima tenso e formal até o teto, parentes e convidados ouvem, perplexos, o próprio Charles traduzindo a linha de argumentação do irmão e, quando ele finalmente revela que gosta de outra pessoa, o caos se estabelece, a noiva aplica um direto à la anderson silva no rosto do vacilão e se retira, muito pêdavida. Há várias passagens engraçadas nas cerimônias e também aquelas situações surrealistas que acontecem em recepções de casamentos, as gafes, as roupas, os amigos de infância se encontrando e trocando confidências. O leitor deve estar curioso quanto ao funeral do título. Trata-se de uma cena muito bem feita, complexa, com humor, emoção e revelações surpreendentes. Só não entendi porque você ainda está aí, parada, lendo. Trate de levantar e correr para a locadora mais próxima. Obrigado pela atenção e bom divertimento.
segunda-feira, 28 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
CENAS DE FILMES 2 - AS PONTES DE MADISON
AS PONTES DE MADISON – THE BRIDGES OF MADISON COUNTY
Diretor: Clinton Eastwood – 1995
Atores: Meryl Streep e Clint Eastwood
A caminhonete está parada no semáforo. Robert deixa a seta ligada, indicando que tomará a direção de saída da pequena cidade em Iowa e nunca mais voltará. No carro atrás, ao lado do marido, Francesca, angustiada, entende a mensagem implícita naquele código decisivo e tem poucos segundos para optar entre dois caminhos tortuosos: sair do carro, entrar na caminhonete, abandonar casa, marido, filhos e ir embora com um desconhecido que, em apenas quatro dias, decifrou-lhe um lado impulsivo que ela própria desconhecia, valorizou-a em sua simplicidade, devolveu-lhe energia, trouxe-lhe risos, deu-lhe prazer e nenhuma dica de como seria o futuro ao lado de um fotógrafo, viajante do mundo a serviço da National Geographic. A segunda opção? Bem mais simples: fazer absolutamente nada. Continuar sentada, voltar para a segurança de seu lar, cuidar do maridão e dos filhos pequenos, cozinhar, limpar, envelhecer com a lembrança marcante daquele rápido e surpreendente romance, que ela teria que guardar em eterno segredo. Corta!!!! Bom, quem viu se lembra, quem não viu é melhor parar de ler aqui e alugar o filme... Tempo esgotado! Silêncio, gravando!!! Num pranto contido, ela acompanha a caminhonete sair da cidade, levando, no meio da poeira, sonhos e um pedaço dela. É isso, vidinha do interior que segue! Lamento, leitoras amigas, mas tenho que registrar: quem conhece as mulheres, sabe que, em não podendo compartilhar aquele romance com outro ser do mesmo sexo, coisa mais sem graça, o que mais resta a uma pobre, angustiada e sofrida mulher???? Escrever tudinho, detalhe por detalhe, guardar numa caixa e esconder em lugar estratégico, onde o pacato cidadão não tivesse a curiosidade de mexer, nem as crianças alcançariam durante muitos anos. Agora, pelo amor de Deus, no fundo ela esperava e morreu acreditando que alguma bendita alma curiosa naquele lado do Mississipi haveria de encontrar o diário e divulgar a sua história, nem que fosse o pessoal da Wikileaks. Brincadeira à parte, a nova proprietária da casa encontra o diário e o entrega aos filhos, gancho para o filme começar. A trilha sonora assinada pelo diretor, músico na vida real, é absolutamente linda! Por fim, o ministério da saúde adverte a quem for assistir pela primeira vez, que mantenha algumas caixas de clinex ao lado da pipoca, porque até os marmanjos ficam raspando a garganta e reclamando de irritação e ciscos nos olhos, durante as mais de duas horas desse ótimo filme, que eu super recomendo.
Diretor: Clinton Eastwood – 1995
Atores: Meryl Streep e Clint Eastwood
A caminhonete está parada no semáforo. Robert deixa a seta ligada, indicando que tomará a direção de saída da pequena cidade em Iowa e nunca mais voltará. No carro atrás, ao lado do marido, Francesca, angustiada, entende a mensagem implícita naquele código decisivo e tem poucos segundos para optar entre dois caminhos tortuosos: sair do carro, entrar na caminhonete, abandonar casa, marido, filhos e ir embora com um desconhecido que, em apenas quatro dias, decifrou-lhe um lado impulsivo que ela própria desconhecia, valorizou-a em sua simplicidade, devolveu-lhe energia, trouxe-lhe risos, deu-lhe prazer e nenhuma dica de como seria o futuro ao lado de um fotógrafo, viajante do mundo a serviço da National Geographic. A segunda opção? Bem mais simples: fazer absolutamente nada. Continuar sentada, voltar para a segurança de seu lar, cuidar do maridão e dos filhos pequenos, cozinhar, limpar, envelhecer com a lembrança marcante daquele rápido e surpreendente romance, que ela teria que guardar em eterno segredo. Corta!!!! Bom, quem viu se lembra, quem não viu é melhor parar de ler aqui e alugar o filme... Tempo esgotado! Silêncio, gravando!!! Num pranto contido, ela acompanha a caminhonete sair da cidade, levando, no meio da poeira, sonhos e um pedaço dela. É isso, vidinha do interior que segue! Lamento, leitoras amigas, mas tenho que registrar: quem conhece as mulheres, sabe que, em não podendo compartilhar aquele romance com outro ser do mesmo sexo, coisa mais sem graça, o que mais resta a uma pobre, angustiada e sofrida mulher???? Escrever tudinho, detalhe por detalhe, guardar numa caixa e esconder em lugar estratégico, onde o pacato cidadão não tivesse a curiosidade de mexer, nem as crianças alcançariam durante muitos anos. Agora, pelo amor de Deus, no fundo ela esperava e morreu acreditando que alguma bendita alma curiosa naquele lado do Mississipi haveria de encontrar o diário e divulgar a sua história, nem que fosse o pessoal da Wikileaks. Brincadeira à parte, a nova proprietária da casa encontra o diário e o entrega aos filhos, gancho para o filme começar. A trilha sonora assinada pelo diretor, músico na vida real, é absolutamente linda! Por fim, o ministério da saúde adverte a quem for assistir pela primeira vez, que mantenha algumas caixas de clinex ao lado da pipoca, porque até os marmanjos ficam raspando a garganta e reclamando de irritação e ciscos nos olhos, durante as mais de duas horas desse ótimo filme, que eu super recomendo.
quinta-feira, 24 de março de 2011
CENAS DE FILMES 1 – ENTRE DOIS AMORES
Cinema é uma grande paixão que sempre tive, namoro antigo, desses de mãos dadas, bilhetinhos, beijos e carinhos nas horas certas, com trilha sonora, cenografia, iluminação e, a grande vantagem, o único diretor que podia cortar a cena era eu. Nessa nova série, intitulada CENAS DE FILMES vou apresentar e analisar determinadas passagens que me emocionaram, me inspiraram e me fizeram voltar ao cinema várias vezes à procura daquela primeira emoção, que embora volte diferente, mais elaborada e detalhada, é sempre surpreendente. Pretendo apresentá-las de maneira sucinta, elegante, sem grandes comentários técnicos ou sociológicos, pois não é minha intenção impressionar ou convencer alguém, apenas registrar momentos importantes produzidos numa mídia cultural que eu admiro e considero fundamental. Muitas dessas passagens me serviram de escada para inícios de namoros, amizades e trocas de informações acompanhadas de vinho tinto e música instrumental de qualidade em noites de chuva, que ninguém é de ferro.
ENTRE DOIS AMORES – OUT OF AFRICA
Diretor: Sydney Pollack – 1985
Atores: Meryl Streep e Robert Redford
Baseado numa história real, o filme se passa no Quênia. Fotografia excepcional, trilha sonora de John Barry, sete Oscars, um dos melhores filmes que já vi. Em pleno deserto africano, calor, poeira, uma cena simples e de extrema sensualidade se destaca, abrindo esta série: Usando uma jarra, Denys lava os cabelos longos e cacheados de Karen com extrema habilidade. A expressão de tranqüilidade e satisfação com que ela brinda a câmera é de tirar o fôlego. Há diversas partes num corpo feminino que chamam a atenção dos homens, mas duas delas são especiais: cabelos e pés. Redford é um ótimo ator, empresta seu charme e segurança aos personagens como poucos. Meryl é, na minha opinião, a maior atriz de todos os tempos. Já protagonizou muitos filmes e cenas espetaculares, densas, dramáticas, cômicas, românticas, mas essa cena é extraordinariamente bem filmada. Escolas de arte cinematográfica e de preparação de modelos fotográficas deveriam estudá-la, agências de publicidade poderiam usá-la como case para ajudar aos lindos e iniciantes rostinhos como passar naturalidade, intensidade e sensualidade em seus trabalhos. Recomendo que a vejam ou revejam, depois me contem se gostaram. Gravando !!!!
ENTRE DOIS AMORES – OUT OF AFRICA
Diretor: Sydney Pollack – 1985
Atores: Meryl Streep e Robert Redford
Baseado numa história real, o filme se passa no Quênia. Fotografia excepcional, trilha sonora de John Barry, sete Oscars, um dos melhores filmes que já vi. Em pleno deserto africano, calor, poeira, uma cena simples e de extrema sensualidade se destaca, abrindo esta série: Usando uma jarra, Denys lava os cabelos longos e cacheados de Karen com extrema habilidade. A expressão de tranqüilidade e satisfação com que ela brinda a câmera é de tirar o fôlego. Há diversas partes num corpo feminino que chamam a atenção dos homens, mas duas delas são especiais: cabelos e pés. Redford é um ótimo ator, empresta seu charme e segurança aos personagens como poucos. Meryl é, na minha opinião, a maior atriz de todos os tempos. Já protagonizou muitos filmes e cenas espetaculares, densas, dramáticas, cômicas, românticas, mas essa cena é extraordinariamente bem filmada. Escolas de arte cinematográfica e de preparação de modelos fotográficas deveriam estudá-la, agências de publicidade poderiam usá-la como case para ajudar aos lindos e iniciantes rostinhos como passar naturalidade, intensidade e sensualidade em seus trabalhos. Recomendo que a vejam ou revejam, depois me contem se gostaram. Gravando !!!!
sexta-feira, 18 de março de 2011
POEMA DA VIVÊNCIA MUSICAL
Saindo da cama, abriu a janela à procura de sol
enquanto ele, cheio de si, continuava deitado lá,
sentia-se ré naquele clima de falta de harmonia,
pausas falavam mais que discursos repletos de dós e
agora breves, diminutos, suspensos na pauta do dia.
Carente de improvisos, intuiu a abertura da hora
de ganhar ritmo e alçar vôo solo por outras trilhas,
numa condução de vida mais dinâmica, vibrante,
menos confusa, afinada em margem mínima de erros,
nada de compassos de espera, necessitava aplausos.
Partiu, assim, em todos os sentidos, cores e tons,
sonhos outrora esquecidos, lacrados a quatro chaves
ora pediam atenção, técnica, divisão e concentração.
O modo firme das batidas de seu coração alterado e
pulsante se mixando a um coro uníssono de energia
conduzia ao grand finale, onde agora tudo recomeçava.
NOTA DO AUTOR: Leitores amigos, esta poesia fala de encontros e desencontros, usando pano de fundo musical que dita os sons e acompanha os atos numa seqüência dramática, mas libertária. Agora, peço que a releiam, identifiquem e anotem a quantidade encontrada de expressões e conceitos musicais, uns claros, outros nem tanto. Sugiro paciência aos três mosqueteiros, músicos geniais e profundos conhecedores do tema, para que respirem um pouco, guardem a resposta e se manifestem por último. É apenas uma brincadeira, um jogo de palavras. Sintam-se abraçados.
enquanto ele, cheio de si, continuava deitado lá,
sentia-se ré naquele clima de falta de harmonia,
pausas falavam mais que discursos repletos de dós e
agora breves, diminutos, suspensos na pauta do dia.
Carente de improvisos, intuiu a abertura da hora
de ganhar ritmo e alçar vôo solo por outras trilhas,
numa condução de vida mais dinâmica, vibrante,
menos confusa, afinada em margem mínima de erros,
nada de compassos de espera, necessitava aplausos.
Partiu, assim, em todos os sentidos, cores e tons,
sonhos outrora esquecidos, lacrados a quatro chaves
ora pediam atenção, técnica, divisão e concentração.
O modo firme das batidas de seu coração alterado e
pulsante se mixando a um coro uníssono de energia
conduzia ao grand finale, onde agora tudo recomeçava.
NOTA DO AUTOR: Leitores amigos, esta poesia fala de encontros e desencontros, usando pano de fundo musical que dita os sons e acompanha os atos numa seqüência dramática, mas libertária. Agora, peço que a releiam, identifiquem e anotem a quantidade encontrada de expressões e conceitos musicais, uns claros, outros nem tanto. Sugiro paciência aos três mosqueteiros, músicos geniais e profundos conhecedores do tema, para que respirem um pouco, guardem a resposta e se manifestem por último. É apenas uma brincadeira, um jogo de palavras. Sintam-se abraçados.
domingo, 13 de março de 2011
RELEITURAS 5 – A SÉRIE LEVADA A SÉRIO
APERTE O CINTO QUE O PILOTO EMAGRECEU
“Pedimos sua atenção para demonstração do nosso equipamento de emergência. Em caso de despressurização da cabine, máscaras individuais cairão automaticamente dos painéis acima de seus lugares. Puxe a máscara mais próxima para liberar o oxigênio, aplique-a sobre o nariz e a boca e respire normalmente. Lembramos que os assentos de suas poltronas são flutuantes.”
RELEITURA
Meu amigo, no finalzinho daquela tortura que acostumamos chamar de vôo (o sujeito fica com a perna dormente pois não consegue dobrá-la, isso sem falar no pinto dentro do bolso de moedas da calça), vem aquela vozinha lendo um testículo, com a maior cara de pau, que agradece a preferência do passageiro porque a escolha da companhia é um direito do cidadão!!! Dá um tempo, oh filisteu!!! Num país com extensão territorial continental, onde cabem uns quatro países europeus mais metade da América do Sul e só temos duas companhias aéreas???? Que escolha é essa??? É encarar um gol contra ou se fazer de tantã, não tem saída!!! Vamos abrir concorrência internacional e oferecer opções reais a quem precisa viajar, afinal tudo na vida é passageiro, mas isso está ficando ridículo. Eu fico rindo e, ao mesmo tempo mais compreensivo, quando imagino as viagens das seleções de basquete ou de vôlei, já pensaram como deve ser??? E quando esses atletas vão ao banheiro??? Haja contorcionismo... Esse aviso de despressurização é o mesmo que afirmar: em caso de pane, não temos a menor idéia da causa do problema e nem do que fazer, daí ganhamos um tempo, pois vocês ficam entretidos tentando ajustar a porra da máscara no rosto, enquanto o comissário lê o manual de emergência e tenta descobrir alguma coisa!!! E tem mais, essa dos assentos serem flutuantes em case do boeing cair no mar é uma sacanagem... Seria mais justo sugerir viajarmos com a identidade presa entre os dentes, pois isso facilitaria a identificação dos cadáveres. Sente o clima: o avião cai em parafuso de uma altura de mais de dez quilômetros e o bóia fria tem a esperança de se agarrar em seu assento e se safar lembrando das aulinhas de natação quando tinha dez anos??? Hoje a música vai ser: ‘Foi por medo de avião, que eu segurei pela primeira vez a sua mão’...
“Pedimos sua atenção para demonstração do nosso equipamento de emergência. Em caso de despressurização da cabine, máscaras individuais cairão automaticamente dos painéis acima de seus lugares. Puxe a máscara mais próxima para liberar o oxigênio, aplique-a sobre o nariz e a boca e respire normalmente. Lembramos que os assentos de suas poltronas são flutuantes.”
RELEITURA
Meu amigo, no finalzinho daquela tortura que acostumamos chamar de vôo (o sujeito fica com a perna dormente pois não consegue dobrá-la, isso sem falar no pinto dentro do bolso de moedas da calça), vem aquela vozinha lendo um testículo, com a maior cara de pau, que agradece a preferência do passageiro porque a escolha da companhia é um direito do cidadão!!! Dá um tempo, oh filisteu!!! Num país com extensão territorial continental, onde cabem uns quatro países europeus mais metade da América do Sul e só temos duas companhias aéreas???? Que escolha é essa??? É encarar um gol contra ou se fazer de tantã, não tem saída!!! Vamos abrir concorrência internacional e oferecer opções reais a quem precisa viajar, afinal tudo na vida é passageiro, mas isso está ficando ridículo. Eu fico rindo e, ao mesmo tempo mais compreensivo, quando imagino as viagens das seleções de basquete ou de vôlei, já pensaram como deve ser??? E quando esses atletas vão ao banheiro??? Haja contorcionismo... Esse aviso de despressurização é o mesmo que afirmar: em caso de pane, não temos a menor idéia da causa do problema e nem do que fazer, daí ganhamos um tempo, pois vocês ficam entretidos tentando ajustar a porra da máscara no rosto, enquanto o comissário lê o manual de emergência e tenta descobrir alguma coisa!!! E tem mais, essa dos assentos serem flutuantes em case do boeing cair no mar é uma sacanagem... Seria mais justo sugerir viajarmos com a identidade presa entre os dentes, pois isso facilitaria a identificação dos cadáveres. Sente o clima: o avião cai em parafuso de uma altura de mais de dez quilômetros e o bóia fria tem a esperança de se agarrar em seu assento e se safar lembrando das aulinhas de natação quando tinha dez anos??? Hoje a música vai ser: ‘Foi por medo de avião, que eu segurei pela primeira vez a sua mão’...
sexta-feira, 11 de março de 2011
RELEITURAS 4 – A SÉRIE LEVADA A SÉRIO
ENTRE UMA RÃ E UM DERRAME
“Conto de fadas para mulheres do século 21: Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: -Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre... E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: - Nem fo..den..do!”
RELEITURA
Aqui temos uma linda princesa que fica contemplando o seu lago, literalmente a ver navios, sozinha, entediada e encontra um sapo. A fábula conta, você se lembra, o coitado foi enfeitiçado pela maldade e inveja de uma rainha mal amada, frígida e, mais uma vez, sozinha. Ok, o sapo, na sua magnitude anfíbia, compreensivo, sabendo-se participante de uma experiência dolorosa, mas necessária, para que a rainha evoluísse e atingisse algum estágio de transcendência, entendeu a situação e ficou na dele. Aproveitou para comer todas as pererecas que apareceram durante muitos e muitos anos, inclusive a perereca da vizinha, solta na gaiola. Quando a linda princesa o encontrou, já idoso, sapo jururu, astuto, sabia que suas alternativas eram poucas: ganhar um selinho da Hebe, assistir 'Procurando Nemo' na lagoa ou ver big brother. Jogou um agá pra cima da princesa e, pela grosseria e baixaria com que ela o tratou, resoluto, inocolou veneno em seu próprio corpo e deixou que ela o matasse e 'saboreasse' no jantar suas panturilhas à dorê. Eu 'adorê' essa versão, e você, amiga leitora??? A música de fundo é: o sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora na Lagoa Rodrigo de Freitas, é flamengo e tem uma nega chamada Teresa...
“Conto de fadas para mulheres do século 21: Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: -Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre... E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: - Nem fo..den..do!”
RELEITURA
Aqui temos uma linda princesa que fica contemplando o seu lago, literalmente a ver navios, sozinha, entediada e encontra um sapo. A fábula conta, você se lembra, o coitado foi enfeitiçado pela maldade e inveja de uma rainha mal amada, frígida e, mais uma vez, sozinha. Ok, o sapo, na sua magnitude anfíbia, compreensivo, sabendo-se participante de uma experiência dolorosa, mas necessária, para que a rainha evoluísse e atingisse algum estágio de transcendência, entendeu a situação e ficou na dele. Aproveitou para comer todas as pererecas que apareceram durante muitos e muitos anos, inclusive a perereca da vizinha, solta na gaiola. Quando a linda princesa o encontrou, já idoso, sapo jururu, astuto, sabia que suas alternativas eram poucas: ganhar um selinho da Hebe, assistir 'Procurando Nemo' na lagoa ou ver big brother. Jogou um agá pra cima da princesa e, pela grosseria e baixaria com que ela o tratou, resoluto, inocolou veneno em seu próprio corpo e deixou que ela o matasse e 'saboreasse' no jantar suas panturilhas à dorê. Eu 'adorê' essa versão, e você, amiga leitora??? A música de fundo é: o sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora na Lagoa Rodrigo de Freitas, é flamengo e tem uma nega chamada Teresa...
RELEITURAS 3 – A SÉRIE LEVADA A SÉRIO
ATRÁS DE UMA GRANDE MULHER
“Conto de fadas para mulheres do século 21: Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:- Você quer casar comigo? Ele respondeu:- NÃO! E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela. O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER. FIM.”
RELEITURA
As mulheres são realmente surpreendentes!!! O que uma linda moça, razoavelmente normal, independente e inteligente propõe a um lindo rapaz quando o conhece? Vamos sair para jantar, ir ao cinema, tomar um café, fazer um curso de artes cênicas juntos, participar de uma corrida em grupo, e por aí vai... A linda moça, no caso, chega e manda logo: quer casar comigo???? O cara pensa: caramba, tanta coisa legal a propor e muito a se fazer antes de um relacionamento definitivo e essa maluca obsessiva tarja preta vem com proposta de casamento de cara???? Please, go check if I am in the corner, will you??? Daí a desequilibrada fica dodói e sai queimando tempo e grana pelo mundo fazendo trezentas coisas ao mesmo tempo, dando pra todo zé mané que aparece, comprando e trocando no outro dia tudo o que vê nas vitrines, tudo isso pra compensar um aprouch mal feito na medida e época erradas? Hello... Com um pouco mais de habilidade, estaria com o lindo cara fazendo tudo isso de forma equilibrada e contínua, inclusive economizando a grana do analista. Quanto ao lindo rapaz, experimenta coisas bacanas e o que acontece com seu corpo é o natural, processos de envelhecimento normal, queda de cabelo, algum ganho de peso, tudo dentro da normalidade médica e de quem se aceita. Quanto ao pinto caído, no caso do sexo masculino o viagra resolve (você pega o trem azul, o sol na cabeça...). Agora, convenhamos, que o homem precisa de uma mulher pra construir, isso é verdade: muitos empresários da construção civil já sacaram isso e estão contratando mulheres eletricistas (entendem de curto circuito), pedreiras (muitas são uma pedrada nos ovos), pintoras (sabem como brochar um homem), bombeiras (botam fogo no sossego do cidadão), marceneiras (deixam o cara duro feito tábua), entre outras. A música de fundo é: entrei de gaiato no navio, entrei, entrei pelo cano!!!!
“Conto de fadas para mulheres do século 21: Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:- Você quer casar comigo? Ele respondeu:- NÃO! E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela. O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER. FIM.”
RELEITURA
As mulheres são realmente surpreendentes!!! O que uma linda moça, razoavelmente normal, independente e inteligente propõe a um lindo rapaz quando o conhece? Vamos sair para jantar, ir ao cinema, tomar um café, fazer um curso de artes cênicas juntos, participar de uma corrida em grupo, e por aí vai... A linda moça, no caso, chega e manda logo: quer casar comigo???? O cara pensa: caramba, tanta coisa legal a propor e muito a se fazer antes de um relacionamento definitivo e essa maluca obsessiva tarja preta vem com proposta de casamento de cara???? Please, go check if I am in the corner, will you??? Daí a desequilibrada fica dodói e sai queimando tempo e grana pelo mundo fazendo trezentas coisas ao mesmo tempo, dando pra todo zé mané que aparece, comprando e trocando no outro dia tudo o que vê nas vitrines, tudo isso pra compensar um aprouch mal feito na medida e época erradas? Hello... Com um pouco mais de habilidade, estaria com o lindo cara fazendo tudo isso de forma equilibrada e contínua, inclusive economizando a grana do analista. Quanto ao lindo rapaz, experimenta coisas bacanas e o que acontece com seu corpo é o natural, processos de envelhecimento normal, queda de cabelo, algum ganho de peso, tudo dentro da normalidade médica e de quem se aceita. Quanto ao pinto caído, no caso do sexo masculino o viagra resolve (você pega o trem azul, o sol na cabeça...). Agora, convenhamos, que o homem precisa de uma mulher pra construir, isso é verdade: muitos empresários da construção civil já sacaram isso e estão contratando mulheres eletricistas (entendem de curto circuito), pedreiras (muitas são uma pedrada nos ovos), pintoras (sabem como brochar um homem), bombeiras (botam fogo no sossego do cidadão), marceneiras (deixam o cara duro feito tábua), entre outras. A música de fundo é: entrei de gaiato no navio, entrei, entrei pelo cano!!!!
terça-feira, 8 de março de 2011
RELEITURAS 2 – A SÉRIE LEVADA A SÉRIO
PODE BEIJAR A NOIVA
“Você promete ser fiel a ela, amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, todos os dias de suas vidas, até que a morte os separe? A partir desse momento, eu os declaro marido e mulher.”
RELEITURA
Pronto. Parabéns. Acabou a cerimônia. Mundo novo, vida nova. Agora é encher a cara pra agüentar o dj com aquela criatividade musical na volta aos anos oitenta, passando por pivetesangalo até chegar ao luansantana. Já notou que a tradição é jogar arroz nos noivos na saída da igreja? Interessante, mas ninguém se lembra de jogar feijão também, afinal aquela transição ‘meu bem-meus bens’ vai virar um feijão com arroz sem tempero e com pouco sal. Lembra do futebol com os amigos nas noites de terça e quinta? E a cervejinha depois, está lembrado? E aquela descontração no sofá nas noites de quarta, zapeando todos os jogos? Bom, não é que isso vai acabar. O que muda são os comentários: vai ter jogo de novo? Mas o campeonato não acabou? Esse seu time sempre perde, né? Pois é, na moral, existe um tipo de garota pior do que aquela que não gosta de futebol: é a que gosta, não tem a menor noção de quando o time dela joga, mas se sente no dever de ser solidária e ver o jogo do seu time, ao seu ladinho! A probabilidade de vitória? A tendência de rolar um clima de mau humor? Nem Freud explica, mas eu tenho uma teoria: a mulher concorda em mexer no nome de solteira, mas isso tem um custo: vai passar os próximos anos mexendo em tudo que lhe diga respeito: seu jeito, suas roupas, seu cabelo, hábitos e piadinhas sem graça, tudo vai mudar. Roberto já mandava a boa: daqui pra frente tudo vai ser diferente, você vai aprender a ser gente e seu orgulho não vale nada!!! nada!! Mas esse falador que vos locuta vai encerrando os trabalhos aqui, pois a caixa de comentários hoje vai bombar, não é minhas amigas? O importante é que emoções eu vivi....
“Você promete ser fiel a ela, amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, todos os dias de suas vidas, até que a morte os separe? A partir desse momento, eu os declaro marido e mulher.”
RELEITURA
Pronto. Parabéns. Acabou a cerimônia. Mundo novo, vida nova. Agora é encher a cara pra agüentar o dj com aquela criatividade musical na volta aos anos oitenta, passando por pivetesangalo até chegar ao luansantana. Já notou que a tradição é jogar arroz nos noivos na saída da igreja? Interessante, mas ninguém se lembra de jogar feijão também, afinal aquela transição ‘meu bem-meus bens’ vai virar um feijão com arroz sem tempero e com pouco sal. Lembra do futebol com os amigos nas noites de terça e quinta? E a cervejinha depois, está lembrado? E aquela descontração no sofá nas noites de quarta, zapeando todos os jogos? Bom, não é que isso vai acabar. O que muda são os comentários: vai ter jogo de novo? Mas o campeonato não acabou? Esse seu time sempre perde, né? Pois é, na moral, existe um tipo de garota pior do que aquela que não gosta de futebol: é a que gosta, não tem a menor noção de quando o time dela joga, mas se sente no dever de ser solidária e ver o jogo do seu time, ao seu ladinho! A probabilidade de vitória? A tendência de rolar um clima de mau humor? Nem Freud explica, mas eu tenho uma teoria: a mulher concorda em mexer no nome de solteira, mas isso tem um custo: vai passar os próximos anos mexendo em tudo que lhe diga respeito: seu jeito, suas roupas, seu cabelo, hábitos e piadinhas sem graça, tudo vai mudar. Roberto já mandava a boa: daqui pra frente tudo vai ser diferente, você vai aprender a ser gente e seu orgulho não vale nada!!! nada!! Mas esse falador que vos locuta vai encerrando os trabalhos aqui, pois a caixa de comentários hoje vai bombar, não é minhas amigas? O importante é que emoções eu vivi....
segunda-feira, 7 de março de 2011
RELEITURAS 1 – A SÉRIE LEVADA A SÉRIO
O DELEGADO DEU SINAL VERDE
“Você tem o direito de permanecer em silêncio; tudo o que disser poderá e será usado contra você no tribunal. Você tem direito a advogado presente durante qualquer interrogatório; se não puder pagar um, o estado lhe indicará um defensor público.”
RELEITURA:
Você está numa fria danada, falta pouco para se lascar por completo. O melhor a fazer é calar essa boca e ficar na sua. A julgar pela merda que acabou de fazer e pelo seu estilão você não deve ter grana pra pagar um advogado. A gente vai arrumar um genérico pra você, que jamais ganhou uma causa e não consegue passar no exame da OAB, mas usa terno, tem anel e uma pasta 007 pra 171 nenhum botar defeito. Assim que a imprensa sair daqui você irá conhecer nossas instalações e, no aconchego da privacidade que o espera, certamente irá nos contar em detalhes a sua versão do acontecido. Ao não concordarmos com ela, usaremos técnica moderna, sutil e eficiente que lhe ajudará, consideravelmente, a recobrar a memória. Quando, no afã de sua fase reivindicatória, alegar ser trabalhador e pedir uma oportunidade, nossos consultores usarão um objeto semelhante a um taco de bilhar revestido de borracha, com os dizeres: oportunidade para trabalhador. Bastante experiente, nosso corpo técnico usará técnica em seu corpo que possibilitará rápido acordo entre as partes. Esqueça aqueles filmes de polícia cheios de lugar comum, o mocinho sofre o tempo todo, armadilhas aparecem direto para atrapalhar a vida dele mas, quando parece que tudo vai dar errado e que não há mais saídas, alguma coisa inesperada acontece e o bem sempre vence. Não é por aí meu garoto, aqui o buraco é mais embaixo e vale a lei do quanto mais sujo melhor. E tome cuidado com a cabeça ao entrar no carro, ou melhor: watch your head!
“Você tem o direito de permanecer em silêncio; tudo o que disser poderá e será usado contra você no tribunal. Você tem direito a advogado presente durante qualquer interrogatório; se não puder pagar um, o estado lhe indicará um defensor público.”
RELEITURA:
Você está numa fria danada, falta pouco para se lascar por completo. O melhor a fazer é calar essa boca e ficar na sua. A julgar pela merda que acabou de fazer e pelo seu estilão você não deve ter grana pra pagar um advogado. A gente vai arrumar um genérico pra você, que jamais ganhou uma causa e não consegue passar no exame da OAB, mas usa terno, tem anel e uma pasta 007 pra 171 nenhum botar defeito. Assim que a imprensa sair daqui você irá conhecer nossas instalações e, no aconchego da privacidade que o espera, certamente irá nos contar em detalhes a sua versão do acontecido. Ao não concordarmos com ela, usaremos técnica moderna, sutil e eficiente que lhe ajudará, consideravelmente, a recobrar a memória. Quando, no afã de sua fase reivindicatória, alegar ser trabalhador e pedir uma oportunidade, nossos consultores usarão um objeto semelhante a um taco de bilhar revestido de borracha, com os dizeres: oportunidade para trabalhador. Bastante experiente, nosso corpo técnico usará técnica em seu corpo que possibilitará rápido acordo entre as partes. Esqueça aqueles filmes de polícia cheios de lugar comum, o mocinho sofre o tempo todo, armadilhas aparecem direto para atrapalhar a vida dele mas, quando parece que tudo vai dar errado e que não há mais saídas, alguma coisa inesperada acontece e o bem sempre vence. Não é por aí meu garoto, aqui o buraco é mais embaixo e vale a lei do quanto mais sujo melhor. E tome cuidado com a cabeça ao entrar no carro, ou melhor: watch your head!
sexta-feira, 4 de março de 2011
DIAS DE DIVA E DIVÃ
Bateu a porta do taxi. Parado em frente ao prédio, confirmou o endereço enquanto olhava os arredores para se ambientar com tudo aquilo. Passou pela portaria e preferiu subir pelas escadas. Há muito não confiava em nada que fosse sustentado por cabos. Chegou ao quinto andar, caminhou até o fim do corredor, abriu a porta da sala e entrou. O sensor denunciou-lhe a presença. Minutos depois ela apareceu, estendeu-lhe a mão, cumprimento firme e carinhoso, um beijo no rosto. Olhos fechados, deixou que o perfume o conduzisse de volta no tempo. Sinestesia absoluta, reconhecia aquele aroma. Alta, bonita, olhos verdes, definitivamente eram verdes. Ela o ajudou a tirar o paletó, conduziu-o até o sofá, pediu que aguardasse um pouco e saiu. Afrouxando a gravata, olhava os objetos, quadros e livros, tudo em sintonia com a luz indireta que deixava o ambiente muito agradável. Entretanto, por mais que procurasse, nada havia ali que lhe fosse familiar. Precisava, desesperadamente, ouvir daquela mulher tudo ou qualquer coisa que resgatasse a memória de sua amada, que o deixara há quase um ano. Acidente de carro. Cansaço. Sono ao volante. Capotamento. Morte instantânea. Vácuo. Remexendo fotos e documentos descobrira o local onde ela estivera duas tardes por semana durante dois anos. Sentia-se curioso e inseguro do que poderia ouvir daquela estranha, confidente e detentora de segredos e confissões da pessoa mais importante de sua vida. Tinha a sensação de que já não a conhecia mais. No processo de desconstrução de sua imagem, começara a fechar e abrir compartimentos como forma de defesa. A cânula aspirou, sem dó nem coerência, gordura junto com sangue, tecidos, músculos, nervos, restaram carne, ossos e um inexplicável instinto de sobrevivência. Agora precisava recorrer a fotos para se lembrar de seu rosto. Luto e luta para se recompor e voltar a viver levaram de sua mente e de seu coração sentimentos bons e ruins. O gosto era de que, mesmo intensa a alma, nem tudo valera a pena. Aceitou um cálice de porto. Começou a falar e perguntar, de forma desconexa e desconfortante, tudo que lhe vinha à mente. Explosão passada, veio o silêncio. Só então ela começou a falar, de forma segura e pausada. Olhos fechados, concentrado e tranquilo, ouviu o que a incomodava, o que sentia, de como pretendia deixá-lo embora ainda o amasse, de como guardava com ternura as longas noites de confidências, do vinho, da música e de como lamentava não cumprir o plano de ficarem sempre juntos. Quantas vezes o emudecimento se fez mais forte do que a vontade de abraçá-la, de reiterar que ainda a queria e o quanto sentia a sua falta, mesmo tendo-a ao lado. Agora nada mais importava, gavetas se fechavam, janelas guardavam o vento frio e forte do lado de fora. Aos poucos, enquanto a voz dela ia ficando distante, seus ouvidos se recusavam a receber mais informações e sua mente foi ficando calma, uma certa paz outrora distante aconteceu. Desceu os cinco andares, passou pela portaria, esperou o sinal abrir, atravessou a rua e decidiu caminhar um pouco. Quase nada fazia mais sentido. Naquele momento precisava apenas caminhar.
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