segunda-feira, 2 de maio de 2011
DE MÉDICOS E LOUCOS
Sabe aquele antigo ditado: de médico, bipolar e louco todo mundo tem um pouco, não sabe? Ok, fiz uma pequena adaptação, pois os tempos são outros e tem gente dando boa noite no início da tarde, outros parando o carro na faixa de pedestre como recomendado, mas matando o coitado de susto, já que deveriam parar antes da faixa, tem cozinheiro confundindo cheiro verde com desodorante do hulk, tem control-alt-del aí pra dar com pau e, como já dizia mano caetano, de perto ninguém é normal. Voltemos ao plantão médico. Atire o primeiro desfibrilador quem não tem um amigo, parente ou chegado que saiba tudo de medicina, de remédios e de receitas caseiras para todo e qualquer tipo de enfermidade. Aposto que o atento leitor está rindo e lembrando-se de alguns entendidos ou situações do gênero, não é mesmo? Isso é um costume, uma tradição, um vírus, permitam-me o trocadilho, que é transmitido e pega na prática, zero de teoria, essa, quase sempre, passa longe. Antigamente, na carência de médicos graduados que não queriam ir para cidades do interior, a tarefa era ocupada por farmacêuticos experientes, respeitados, que atendiam, diagnosticavam e prescreviam medicamentos na maior tranqüilidade e segurança. Nem cobravam consulta, estava tudo embutido no preço do remédio. Lilico diria: tempo bom, não volta mais, saudade desses tempos iguais! No vácuo: tempo bom, da goiabada cascão em caixa, do compacto simples com duas pérolas e nada mais, dos maiôs brancos brincando com nossa imaginação, do padeiro na bicicleta de casa em casa vendendo roscas com cobertura de côco. Foco, meu camarada, voltemos ao plantão médico! O sujeito vai à consulta, fala tudo, demonstra conhecimento de causa graças ao doutor google, zera todas as dúvidas. Pronto, passa a régua! Pedidos de exames debaixo do braço, vai confirmar com um segundo médico e com o terceiro. Bingo! Falaram a mesma coisa, meno male. Ele chega em casa ou no trabalho e, inocente útil ou língua grande, comenta sobre a via crucis das consultas e a bateria de testes. Como quem não está muito interessado, o doutor nosso de cada dia da cadeira ao lado pede para dar uma olhada, põe os óculos de leitura, fica sério e, hipócrates dos hipócritas, manda na maior cara de pau: isso aqui não está certo!!! está faltando coisa... mas ele não pediu aquele outro... não sei não, heim!!!! A vontade que dá é dizer: você não sabe, mas o médico sabe!!! Antes de colocar aquele jaleco, o sujeito estudou uns doze anos, perdeu noites em claro nas emergências cuidando de gente que caiu do quinto andar, levou facada em briga de bar, participou de juntas médicas que discutem os casos antes de diagnosticar, mas o nosso amigo ou amiga tem opinião própria, receita florais, xaropes, pílulas, genéricos, só faltam carimbo e bloquinho personalizado!!! Já vi entendidos questionando ecografias: desculpe, mas na minha ignorância(???) acho que esse gineco (olha a intimidade) se enganou quanto ao sexo do bebê e, olhando bem, pra mim são dois e não apenas um bebê!!! Está rindo? Pois olha a cena: entrada do colégio, crianças entregues, calçada de emergência, ficam aquelas mães trocando figurinhas, uma espécie de congresso local de médicas amadoras, um zero oitocentos disque cobaia alheia infantil, qualquer nota, bossa nova, tarja multicolorida, quem dá mais? Em tempo: rápido, alguém disque 192, que esse sujeito está passando mal...
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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk é assim mesmo Juro que eu não faço isso . Bjs Deus t abençoe. Mto boa.
ResponderExcluirq bonitinho este conto. gostei. suuuper real! bjs
ResponderExcluirkkkkk,Marcinho me encherguei,sabia que uma vez o Zé chegou em casa com um bloco de receitas com meu nome que ele mandou fazer?muito bom,bjs
ResponderExcluirVerdade ... é mais ou menos como estar voando num avião. Acho que a gente tem que relaxar e deixar nas mãos do comandante né ? kkkk....
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