quarta-feira, 22 de junho de 2011
O TETO EM RODOPIO
Foi a primeira pessoa que ele viu quando entrou no salão. Em meio à multidão, cores, movimentos, luzes, sons, brindes e gargalhadas, nada mais lhe chamava a atenção, nada lhe parecia novo ou interessante. Simplesmente não conseguia mais tirar os olhos dela. Acompanhava o gesticular de suas mãos como a reger a sinfonia que lhe saía da boca, tentava adivinhar o significado daquelas palavras intercaladas com sorrisos discretos, via o balançar dos cabelos que cobriam parte de seu rosto e que eram ajustados atrás das orelhas com charme e delicadeza. Quando deu por si, estava rindo sozinho e já estabelecia um avançado diálogo imaginário do que seria dito e ouvido. Levou as mãos à altura da boca para disfarçar o estado de alegria natural e nervosismo que o deixava estranhamente confiante e empolgado. Iria acontecer. Tinha que acontecer. Simplesmente adorava momentos como aquele. Ansiava por situações de completo desconhecimento, quando são estabelecidas conexões através de olhares, de gestos e códigos improvisados, conduzidos por ímpetos carnais, rubores faciais, cefaléias sutis, taquicardias controladas, adrenalina pura. Calmamente bebeu o último gole, depositou a taça de conhaque na mesinha ao lado e levantou-se. Distraída, quando percebeu estava com a mão estendida aceitando o convite para dançar. Foram até o meio do salão, olharam-se, encostaram os corpos quebrando a barreira da intimidade e começaram a mover-se em pequenos círculos, ao som de Billie. Falaram de amores passados, de longas noites em quartos de hotéis, de passeios de bicicleta pelo vale do loire, de viagens surpreendentes, de restaurantes inesquecíveis e de caminhadas noturnas nas madrugadas frias. Enquanto falavam e dançavam crescia a impressão sinestésica de que já se conheciam. Agora a orquestra tocava Cole Porter e eles estavam mais próximos e mais ousados. Passado e presente misturando-se, à medida que se revelavam e interagiam. Falaram também de antigos planos frustrados, de desequilíbrios, de viagens perigosas sem fim, de absintos, de pulsos cortados e de andaimes de pontes à mercê de transeuntes que os acudissem de volta à realidade. Intimidade e confiança estabeleciam-se de maneira tão singular e rápida, deixando-os meio inseguros e mais próximos. Àquela altura da vida, sabiam reconhecer e valorizar oportunidades, corações e mentes atraídos por alguma força que os tornara juntos e, de repente, tudo fazia sentido, tudo era convite à entrega, dúvidas e óbices iam ficando para trás. O despertador do destino tocara na mesma hora para os dois. Caso lhes fosse dada a chance de recomeçar, jamais fariam tudo de novo da mesma forma; longe disso, acreditavam que novos erros e novos acertos fossem primordiais para preservar a mística das surpresas e o colorido especial do desconhecido. Deram-se as mãos e saíram em direção à porta principal.
terça-feira, 21 de junho de 2011
ENSAIO: JUVENTUDE – MUDANÇAS x REBELDIA
Juventude: substantivo feminino que se refere ao período da vida entre a infância e a idade adulta. É a fase de contestações, de descobertas e de experimentações. Ao jovem praticamente tudo cabe, nada é impossível, nada é perfeito, tudo pode e deve mudar. Esse é um paradigma que permanece e se sustenta, pois o jovem não tem mais a dependência física e legal da criança e, ao mesmo tempo, sem a experiência e a natural acomodação do adulto, ele se lança de peito aberto questionando o mundo que o cerca, os temas sociais, antropológicos, éticos, teóricos e práticos. Essa euforia contestatória alimentada por hormônios, força física, beleza latente e autoconfiança, com frequência o levam a cometer erros, excessos e confusões, com a consequente taxação de rebeldia. O dramaturgo Nélson Rodrigues dizia, com sua contumaz ironia e sarcasmo: “a juventude é uma mal que passa rápido; se querem um conselho, envelheçam!.” Já Pedro Naves, escritor mineiro, contestava essa abordagem rodriguiana, quando dizia: “a experiência é como uma locomotiva com os faróis voltados para trás, apenas ilumina o passado, de nada lhe serve o que aprendeu, porque o futuro são apenas trevas.” O jovem é, naturalmente, um rebelde. Exatamente por conta dessa coragem de enfrentar questões estabelecidas na sociedade e de propor mudanças sem a preocupação de que tenham o mínimo sentido ou necessidade premente é que ele muitas vezes acerta, ainda que inconscientemente ou sem embasamento técnico que justifique esses acertos. Potencializados à coragem e rebeldia, o jovem traz dentro de si aspectos sensoriais importantes, que são produtos de feelings, insights, sacadas inteligentes, enfim, soluções muitas vezes simples e diretas, que passam despercebidas aos olhos de uma criança e também do adulto. O adulto, por sua vez, ao usar o bom senso e mergulhar no passado, rememorando aquelas suas várias aprontadas, erros e acertos da juventude, certamente terá paciência e lucidez para entender que o jovem apenas precisa de oportunidades, compreensão e afeto. Por estar sempre contestando e propondo mudanças em questões nas quais não tem conhecimento ou experiência, o jovem é taxado de maluco, de irresponsável, de inconsequente, mas essa abordagem adotada por muitos adultos é paradoxal: se o jovem for tímido, introspectivo e inseguro será acusado de acomodado, preguiçoso, sem iniciativa. Ao contrário, quando falante, extrovertido e independente será taxado de rebelde, folgado e perigoso. Com essa perspectiva social e cultural que se apresenta na maioria das vezes, a tendência natural do jovem é procurar ser diferente dos adultos que o cercam e que são responsáveis por sua formação. Ele não quer repetir o modelo que enxerga e contesta nos adultos, longe disso, procura pensar e agir exatamente de forma contrária. O jovem não se conforma com injustiças, ele tem um senso comum de se proteger e aos membros de sua turma contra atos e fatos que vão de encontro às suas crenças e valores. Na história política recente do país, indignados com a corrupção, falta de seriedade e abusos de autoridade, jovens universitários e estudantes do ensino médio, os caras-pintadas, foram às ruas em passeatas e ao Congresso Nacional questionar a permanência do Presidente da República no poder. A eles juntaram-se sindicados de trabalhadores, políticos, membros do clero, empresários, juristas e representantes de vários movimentos, num exemplo de manifestação democrática que acabou no episódio do impeachment de Collor, situação política até então inédita no Brasil. Graças ao ímpeto e ao sentimento contestatório da juventude, virou-se uma página na história brasileira e o que se viu depois disso foi o início de um período de crescimento e estabilidade, que permanece até os dias atuais.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
HUIT ZÉRO UN
Sim ou não
apenas diga-me sim ou não
pois, entre essas duas opções, há um mundo
e, acredite, um mundo de atalhos que irá nos engolir.
Yes or not
adiciona-me ou me apague de vez
deixe que eu a veja de perfil, em close, de costas
faça do rosto livro aberto para eu ler, escrever e decorar.
Oui ou non
decifra-me ou me devore por inteiro
nada pela metade, estamos à vontade agora
fique linda e deixe que, eu, paul, faça a nossa música.
Sì o no
transcenda-me ou me surpreenda
nossos corpos agora são lares, evitemos que
detalhes tão pequenos de nós dois fiquem para depois.
apenas diga-me sim ou não
pois, entre essas duas opções, há um mundo
e, acredite, um mundo de atalhos que irá nos engolir.
Yes or not
adiciona-me ou me apague de vez
deixe que eu a veja de perfil, em close, de costas
faça do rosto livro aberto para eu ler, escrever e decorar.
Oui ou non
decifra-me ou me devore por inteiro
nada pela metade, estamos à vontade agora
fique linda e deixe que, eu, paul, faça a nossa música.
Sì o no
transcenda-me ou me surpreenda
nossos corpos agora são lares, evitemos que
detalhes tão pequenos de nós dois fiquem para depois.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
CINCO MÚSICAS NACIONAIS COM NOMES DE MULHERES
A música brasileira é extremamente rica e versátil em estilos, vertentes e ritmos. Quanto mais se escuta, mais se aprende e mais se descobre acerca de sua qualidade e criatividade. Aqui destaco, entre muitas composições com nomes de mulheres, cinco das minhas preferidas. Ficaram de fora pérolas como Ligia, Carolina, Maria, Maria, Flora, Conceição, apenas para citar algumas das mais de cem músicas que pesquisei para fechar este trabalho. Imagino que os amigos leitores terão outras indicações e espero que as registrem nos comentários, pois isso é bom para comprovarmos a riqueza de nossa produção musical. Aproveitem!
BEATRIZ - Edu Lobo – Chico Buarque
Edu e Chico já escreveram juntos várias músicas, todas excelentes. A sensibilidade e o conhecimento de harmonia de Edu dão um sentido especial às letras do Chico. Destaco a gravação de Milton Nascimento para a trilha do musical GRANDE CIRCO MÍSTICO, de 1983, que é definitiva! Segundo Leny Andrade, atual grande dama da música brasileira, fica difícil ouvir outra gravação depois que o Bituca carimbou a versão dele para essa obra de arte. Penso que apenas uma cantora conseguiria tal feito, mas, infelizmente, ela nos deixou em 1982 e atendia pelo nome de Elis.
LUIZA – Tom Jobim
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim é um gênio. Ponto! A qualidade de sua obra pode ser comparada aos grandes compositores e clássicos americanos e, na minha opinião, ao lado de Villa-Lobos e Chico Buarque forma a santa trindade da música brasileira de todos os tempos. Criou a bossa nova e influenciou muitos artistas, com harmonias complexas, sofisticadas e geniais pela simplicidade e originalidade. A letra dessa música é de uma beleza estética impressionante, num envolvente jogo de palavras que acompanha a melodia em crescente e emociona pela forma como ele cria atalhos e encontra saídas harmônicas surpreendentes. Adoro a gravação feita em dueto vocal com Edu Lobo, no disco Tom e Edu, de 1981.
MADALENA – Ivan Lins – Ronaldo Monteiro
Elis Regina consagrou essa música numa gravação espetacular de 1971, ainda jovem, no disco ELA. César Camargo Mariano escreveu um arranjo magnífico que explora de forma competente a extensão vocálica dela, imprimindo um crescente harmônico com balanço, sensibilidade e numa levada rítmica quebrada, diferente do registro original de Ivan Lins. Elis a regravou ao vivo em 1979 no Festival de Jazz de Montreux na Suíça, com uma super banda que incluía Hélio Delmiro (guitarra), Luisão Maia (baixo), Chico Batera (percussão) e Paulinho Braga (bateria).
MARINA – Dorival Caymmi
Um clássico da MPB, samba-canção de 1947, composto e gravado pelo mestre Dorival naquele mesmo ano. Foi registrado por outros excelentes intérpretes, como Nélson Gonçalves e Francisco Alves, mas a versão que fez mais sucesso foi a de Dick Farney, exímio pianista e cantor que possuía um registro vocálico aveludado raro, um artista completo, que se apresentou nos Estados Unidos ao lado de Nat King Cole, David Brubeck e Bill Evans. Marina recebeu inúmeras gravações, entre elas a de Maria Betânia em 1968. Gosto muito da versão pop extremamente original feita por Gilberto Gil, em 1979, no ótimo disco REALCE.
ROSA – Pixinguinha – Otávio de Sousa
Essa pérola é outra obra de arte da música popular brasileira, composta em 1917 e imortalizada através de gravações extraordinárias do seresteiro Silvio Caldas e de Orlando Silva, ‘o cantor das multidões’. Gosto muito, também, da gravação de Marisa Monte no disco MAIS, de 1998, delicada e sutil, com arranjo minimalista executado pelo tecladista japonês Ruyichi Sakamoto. Ficou elegante e moderna, mas manteve o rigor da melodia e o andamento original de valsa. A letra é um tratado perfeito de como se deve, formalmente, elogiar uma mulher, deixando-a envaidecida e, literalmente, nas nuvens.
BEATRIZ - Edu Lobo – Chico Buarque
Edu e Chico já escreveram juntos várias músicas, todas excelentes. A sensibilidade e o conhecimento de harmonia de Edu dão um sentido especial às letras do Chico. Destaco a gravação de Milton Nascimento para a trilha do musical GRANDE CIRCO MÍSTICO, de 1983, que é definitiva! Segundo Leny Andrade, atual grande dama da música brasileira, fica difícil ouvir outra gravação depois que o Bituca carimbou a versão dele para essa obra de arte. Penso que apenas uma cantora conseguiria tal feito, mas, infelizmente, ela nos deixou em 1982 e atendia pelo nome de Elis.
LUIZA – Tom Jobim
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim é um gênio. Ponto! A qualidade de sua obra pode ser comparada aos grandes compositores e clássicos americanos e, na minha opinião, ao lado de Villa-Lobos e Chico Buarque forma a santa trindade da música brasileira de todos os tempos. Criou a bossa nova e influenciou muitos artistas, com harmonias complexas, sofisticadas e geniais pela simplicidade e originalidade. A letra dessa música é de uma beleza estética impressionante, num envolvente jogo de palavras que acompanha a melodia em crescente e emociona pela forma como ele cria atalhos e encontra saídas harmônicas surpreendentes. Adoro a gravação feita em dueto vocal com Edu Lobo, no disco Tom e Edu, de 1981.
MADALENA – Ivan Lins – Ronaldo Monteiro
Elis Regina consagrou essa música numa gravação espetacular de 1971, ainda jovem, no disco ELA. César Camargo Mariano escreveu um arranjo magnífico que explora de forma competente a extensão vocálica dela, imprimindo um crescente harmônico com balanço, sensibilidade e numa levada rítmica quebrada, diferente do registro original de Ivan Lins. Elis a regravou ao vivo em 1979 no Festival de Jazz de Montreux na Suíça, com uma super banda que incluía Hélio Delmiro (guitarra), Luisão Maia (baixo), Chico Batera (percussão) e Paulinho Braga (bateria).
MARINA – Dorival Caymmi
Um clássico da MPB, samba-canção de 1947, composto e gravado pelo mestre Dorival naquele mesmo ano. Foi registrado por outros excelentes intérpretes, como Nélson Gonçalves e Francisco Alves, mas a versão que fez mais sucesso foi a de Dick Farney, exímio pianista e cantor que possuía um registro vocálico aveludado raro, um artista completo, que se apresentou nos Estados Unidos ao lado de Nat King Cole, David Brubeck e Bill Evans. Marina recebeu inúmeras gravações, entre elas a de Maria Betânia em 1968. Gosto muito da versão pop extremamente original feita por Gilberto Gil, em 1979, no ótimo disco REALCE.
ROSA – Pixinguinha – Otávio de Sousa
Essa pérola é outra obra de arte da música popular brasileira, composta em 1917 e imortalizada através de gravações extraordinárias do seresteiro Silvio Caldas e de Orlando Silva, ‘o cantor das multidões’. Gosto muito, também, da gravação de Marisa Monte no disco MAIS, de 1998, delicada e sutil, com arranjo minimalista executado pelo tecladista japonês Ruyichi Sakamoto. Ficou elegante e moderna, mas manteve o rigor da melodia e o andamento original de valsa. A letra é um tratado perfeito de como se deve, formalmente, elogiar uma mulher, deixando-a envaidecida e, literalmente, nas nuvens.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
ESSA TAL FELICIDADE
Lá pelas tantas, quase no final do evento, alguém pergunta se o entrevistado se considerava um homem feliz. Rápido, brincalhão e espirituoso, pela primeira e única vez nas mais de duas horas ele fica sério, trava, pensa, vem aquele branco de alguns segundos e ele responde que se sente feliz quando consegue se levantar na fria madrugada da capital gaúcha para pegar um copo de água e voltar para a cama quente e confortável, sentindo-se corajoso e feliz com o ato. Saiu-se bem o poeta e cronista Fabrício Carpinejar, que falava sobre sua vida e processo criativo, enquanto ouvia alguns trechos de sua obra lidos pela atriz Bidô Galvão, no CCBB. Saia justíssima! Não é fácil definir ou mesmo falar sobre felicidade. Para mim, são aqueles momentos mágicos inesperados com variação de cinco segundos para mais e para menos sem que algo ou alguém lhe interrompa. Felicidade é uma arma quente, ironizava e previa John, antes de ser baleado por um fã, ao voltar para casa. Brincadeira sem graça do destino e das palavras, logo para alguém que pregava paz e tolerância ao dizer que tudo que precisávamos era amor, mas ‘a estrela guia não fez a bala parar’. Felicidade pode acontecer a qualquer momento: na descoberta do nome com letras mínimas na última página da lista de aprovados, no sensor da porta automática do aeroporto que mostra a pessoa querida encoberta pela bagagem, no freio do carro que funciona a tempo do garoto em sua bicicleta atravessar a faixa atrás do preocupado e atento pai, na relação de contemplados para o sonho de ter o seu espaço onde morar, no ansioso rasgar do lacre do envelope na calçada do laboratório, no primeiro choro da criança naquele corredor frio e silencioso, no brinde especial do toque inesperado de um torpedo que afunda porta-aviões na batalha naval da conquista da mulher a ser amada. Tudo isso é felicidade. E é só isso. São momentos. São fragmentos. São extras. Eles acontecem em meio ao caos da loucura diária, chegam por conta e risco do inexplicável, na briga desordenada por posições, no quebracabeças do quebrar a cabeça alheia sem escrúpulos, no cais do porto, na fria madrugada dos desabrigados, nos dez segundos de respiração profunda que evitam o mal, no tempo que se dedica ao próximo sem intenções outras que não a de oferecer atenção e compreensivo silêncio. A grande questão e dádiva cotidiana é saber identificar, saudar e valorizar esses curtos e especiais momentos, esses brindes do universo que conectam almas, que recarregam baterias, que inundam os seres do mais puro oxigênio, que existem para justificar a existência, que não entram no mérito das questões, apenas chegam, se instalam e se vão.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
A ARCA DE MANOÉ MENEZES
A seleção brasileira fez dois jogos amistosos preparatórios para a Copa América que será realizada na Argentina agora em julho: contra a Holanda, em Goiânia, placar oXo e contra a Romênia, no Pacaembu, 1x0, gol do Fred, jogo que marcou a despedida oficial do Ronaldo. Confesso que fiquei preocupado com a baixa qualidade técnica e tática do time. Sei não, se vacilar vamos pagar mico! Os poucos bons momentos ficaram por conta dos malabarismos e da criatividade do Neymar, excelente atacante e mergulhador nas horas vagas, destaque para o número de vezes em que ele se joga ao chão, característica negativa que já o deixa marcado pelos juízes. O time estava praticamente completo, faltando apenas a dupla Pato e Ganso. É pouco bicho pra resolver tantos problemas e, se brincar, a vaca vai pro brejo! Pra quem viu as feras do Saldanha, a elegância do Falcão e tantos outros cobras do time canarinho é de ficar com a pulga atrás da orelha, afinal ninguém tem sangue de barata pra aguentar tanta zebra. Em quinze minutos, o Fenômeno teve boas oportunidades de marcar, apesar da rapidez de tartaruga e da forma estilo fora de forma, lá pelas tantas recebeu um toque sutil de Robinho e mandou um pombo sem asa que destruiu a caixa de isopor do garoto do picolé, na arquibancada, setor pqp. Nos bons tempos, ágil feito serpente, ele colocaria a bola onde a coruja dorme e nem um goleiro com olhos de águia e rapidez de lince evitaria o lance, uma pintura, que deixaria a torcida pulando feito cabrito, feliz como pinto no lixo e o técnico adversário com cara de cão chupando manga. Mas isso faz parte de um passado glorioso, agora é tirar o cavalinho da chuva, aproveitar a ótima aposentadoria ao lado dos tubarões especuladores de carreiras alheias, abraçar amigos ursos de plantão e lavar a égua de felicidade. Como diria o narrador oficial: que beleza!!!!
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