quarta-feira, 15 de junho de 2011
ESSA TAL FELICIDADE
Lá pelas tantas, quase no final do evento, alguém pergunta se o entrevistado se considerava um homem feliz. Rápido, brincalhão e espirituoso, pela primeira e única vez nas mais de duas horas ele fica sério, trava, pensa, vem aquele branco de alguns segundos e ele responde que se sente feliz quando consegue se levantar na fria madrugada da capital gaúcha para pegar um copo de água e voltar para a cama quente e confortável, sentindo-se corajoso e feliz com o ato. Saiu-se bem o poeta e cronista Fabrício Carpinejar, que falava sobre sua vida e processo criativo, enquanto ouvia alguns trechos de sua obra lidos pela atriz Bidô Galvão, no CCBB. Saia justíssima! Não é fácil definir ou mesmo falar sobre felicidade. Para mim, são aqueles momentos mágicos inesperados com variação de cinco segundos para mais e para menos sem que algo ou alguém lhe interrompa. Felicidade é uma arma quente, ironizava e previa John, antes de ser baleado por um fã, ao voltar para casa. Brincadeira sem graça do destino e das palavras, logo para alguém que pregava paz e tolerância ao dizer que tudo que precisávamos era amor, mas ‘a estrela guia não fez a bala parar’. Felicidade pode acontecer a qualquer momento: na descoberta do nome com letras mínimas na última página da lista de aprovados, no sensor da porta automática do aeroporto que mostra a pessoa querida encoberta pela bagagem, no freio do carro que funciona a tempo do garoto em sua bicicleta atravessar a faixa atrás do preocupado e atento pai, na relação de contemplados para o sonho de ter o seu espaço onde morar, no ansioso rasgar do lacre do envelope na calçada do laboratório, no primeiro choro da criança naquele corredor frio e silencioso, no brinde especial do toque inesperado de um torpedo que afunda porta-aviões na batalha naval da conquista da mulher a ser amada. Tudo isso é felicidade. E é só isso. São momentos. São fragmentos. São extras. Eles acontecem em meio ao caos da loucura diária, chegam por conta e risco do inexplicável, na briga desordenada por posições, no quebracabeças do quebrar a cabeça alheia sem escrúpulos, no cais do porto, na fria madrugada dos desabrigados, nos dez segundos de respiração profunda que evitam o mal, no tempo que se dedica ao próximo sem intenções outras que não a de oferecer atenção e compreensivo silêncio. A grande questão e dádiva cotidiana é saber identificar, saudar e valorizar esses curtos e especiais momentos, esses brindes do universo que conectam almas, que recarregam baterias, que inundam os seres do mais puro oxigênio, que existem para justificar a existência, que não entram no mérito das questões, apenas chegam, se instalam e se vão.
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É saber que tem pessoas , como vc , que se alegra com pequeninos atos.Parabens meu querido .Ser feliz é isto e nada mais .Que Deus te abençoe e ilumine sempre ,pra q vc nos faça ver a felicidade, ao abrir seu Blog.
ResponderExcluirSinta-se beijado. Tia Zeze
Só mesmo você , Paulo pra conseguir com toda sua sensibilidade expressar esses momentos , como vc bem disse , às vezes curtos mais muito profundos - e nas mais diversas situações ...
ResponderExcluirFelicidade também é ler seu blog.
Um abração feliz !
Felicidade também é perceber que fiz a visita nº 1958 ...
ResponderExcluirSou amiga de sua tia Maria José Janot, maravilhosa pessoa. Li sua crônica. Vi de onde vem a sua veia literária ou de onde vem a alegria contagiante dela. Parabéns. Não pare de escrever.
ResponderExcluirAbraços,Brunilde Moraes.
Mais uma vez, parabéns, Paulo! Muito bom mesmo!
ResponderExcluirAh!!!!! Já ia me esquecendo de agradecer pelos instantes de felicidade ao ler seu texto.
Amplexos, Petrônio Salgado.
Iiihhh... acabei de fazer a visita 2011 kkkk... quantas belas coincidências!!!
ResponderExcluirBeijão !
Marcinho,sempre digo que as pessoa vivem procurando a tal felicidade,mas acho que viver o momento é ser feliz,como este momento que parei aqui pra ler palavras tão inteligentes,bjs.ANE
ResponderExcluirE muitas vezes a felicidade está ao nosso lado e não percebemos. Eu percebi e sou feliz de convivier ao seu lado. Parabéns e beijão.
ResponderExcluirÉ. Deve ser por isso q sofro tanto.kkkk Muitas vezes só olho o todo. Mas comprei uns óculos de grau e agora posso ver melhor as pequenas coisas.
ResponderExcluirbj