terça-feira, 21 de junho de 2011
ENSAIO: JUVENTUDE – MUDANÇAS x REBELDIA
Juventude: substantivo feminino que se refere ao período da vida entre a infância e a idade adulta. É a fase de contestações, de descobertas e de experimentações. Ao jovem praticamente tudo cabe, nada é impossível, nada é perfeito, tudo pode e deve mudar. Esse é um paradigma que permanece e se sustenta, pois o jovem não tem mais a dependência física e legal da criança e, ao mesmo tempo, sem a experiência e a natural acomodação do adulto, ele se lança de peito aberto questionando o mundo que o cerca, os temas sociais, antropológicos, éticos, teóricos e práticos. Essa euforia contestatória alimentada por hormônios, força física, beleza latente e autoconfiança, com frequência o levam a cometer erros, excessos e confusões, com a consequente taxação de rebeldia. O dramaturgo Nélson Rodrigues dizia, com sua contumaz ironia e sarcasmo: “a juventude é uma mal que passa rápido; se querem um conselho, envelheçam!.” Já Pedro Naves, escritor mineiro, contestava essa abordagem rodriguiana, quando dizia: “a experiência é como uma locomotiva com os faróis voltados para trás, apenas ilumina o passado, de nada lhe serve o que aprendeu, porque o futuro são apenas trevas.” O jovem é, naturalmente, um rebelde. Exatamente por conta dessa coragem de enfrentar questões estabelecidas na sociedade e de propor mudanças sem a preocupação de que tenham o mínimo sentido ou necessidade premente é que ele muitas vezes acerta, ainda que inconscientemente ou sem embasamento técnico que justifique esses acertos. Potencializados à coragem e rebeldia, o jovem traz dentro de si aspectos sensoriais importantes, que são produtos de feelings, insights, sacadas inteligentes, enfim, soluções muitas vezes simples e diretas, que passam despercebidas aos olhos de uma criança e também do adulto. O adulto, por sua vez, ao usar o bom senso e mergulhar no passado, rememorando aquelas suas várias aprontadas, erros e acertos da juventude, certamente terá paciência e lucidez para entender que o jovem apenas precisa de oportunidades, compreensão e afeto. Por estar sempre contestando e propondo mudanças em questões nas quais não tem conhecimento ou experiência, o jovem é taxado de maluco, de irresponsável, de inconsequente, mas essa abordagem adotada por muitos adultos é paradoxal: se o jovem for tímido, introspectivo e inseguro será acusado de acomodado, preguiçoso, sem iniciativa. Ao contrário, quando falante, extrovertido e independente será taxado de rebelde, folgado e perigoso. Com essa perspectiva social e cultural que se apresenta na maioria das vezes, a tendência natural do jovem é procurar ser diferente dos adultos que o cercam e que são responsáveis por sua formação. Ele não quer repetir o modelo que enxerga e contesta nos adultos, longe disso, procura pensar e agir exatamente de forma contrária. O jovem não se conforma com injustiças, ele tem um senso comum de se proteger e aos membros de sua turma contra atos e fatos que vão de encontro às suas crenças e valores. Na história política recente do país, indignados com a corrupção, falta de seriedade e abusos de autoridade, jovens universitários e estudantes do ensino médio, os caras-pintadas, foram às ruas em passeatas e ao Congresso Nacional questionar a permanência do Presidente da República no poder. A eles juntaram-se sindicados de trabalhadores, políticos, membros do clero, empresários, juristas e representantes de vários movimentos, num exemplo de manifestação democrática que acabou no episódio do impeachment de Collor, situação política até então inédita no Brasil. Graças ao ímpeto e ao sentimento contestatório da juventude, virou-se uma página na história brasileira e o que se viu depois disso foi o início de um período de crescimento e estabilidade, que permanece até os dias atuais.
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