quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

É PAU, É PEDRA, É O FIM DO CARINHO

Não quero generalizar, mas o ser humano tem costume de ver as coisas e de se posicionar a partir de suas próprias experiências e da sua formação cultural. Estamos agora acompanhando essa questão polêmica, mais uma, vinda do Irã, que condenou e decidiu matar Sakineh Ashtiani, iraniana que, segunda consta, depois de viúva, resolveu aproveitar a vida e pegar alguém pra transar. Mas o que não pegou bem foi a forma como o governo local viu a questão, uma ofensa, um pecado, mais que isso, um crime. Resultado: culpada, condenada à morte, cumpra-se, segue a fila! Algumas coisas eu não consigo entender. Primeiro, condenar uma viúva por adultério é brincadeira, condenar à morte é inacreditável, morte por apedrejamento em praça pública aí os caras estão de sacanagem! Volto ao começo, é uma análise a partir de nossa visão ocidental, mas tudo tem limite, e o dela resolveram que é na pedrada, e fim de papo, aliás esse papo está pra lá de Teerã! Informaram que ela já levou noventa e nove chibatadas, imagino que deva ser a título de aquecimento. Outra coisa que eu não entendo: por que não deram logo cem chibatadas, que é um número redondo? O carrasco chega, dá noventa e nove chibatadas no sujeito e vai embora. A pobre coitada fica lá, jogada, sofrendo e esperando que voltem pra dar mais uma e arredondar a fatura. O caso sensibilizou o mundo todo e o presidente Lula entrou no circuito pra tentar salvar a moça, respaldado no bom relacionamento que mantem com o ditador, baixinho com cara de maluco, mas perigoso e que gosta de terno, mas nunca usa gravata, outra coisa que também não entendo. Mais uma vez, o Lula está vendido na história, pois a moça não é dissidente nem terrorista, não pode, portanto, receber asilo político. A questão está sendo tratada de forma pessoal, nosso presidente ficou com pena e decidiu ajudá-la, mas oficialmente os governos ficam fora, é uma questão particular, o Itamarati nem entrou no circuito. Apesar de muito criticado, tenho uma simpatia pelo chanceler Celso Amorim, até o cumprimentei uma vez na saída do cinema na Academia de Tênis. Simpático, educado e tem, como eu, paixão por cinema, estudou e começou a carreira como cineasta antes de entrar no meio diplomático. Agora, se essa moda de apedrejar mulheres que dão uma escapulida chega ao nosso país, acho vai faltar pedra, sério! Vai aumentar o número de implosões e escavações para renovar o estoque e a coisa ganha uma proporção e notoriedade que já conhecemos. Vai aparecer gaiato querendo jogar pedra com paradinha, com fintas e pedraladas (foi mal), com barreira, com efeito, pedrada olímpica, e por aí vai. Brincadeiras à parte, espero que o caso acabe de forma civilizada, que a iraniana seja solta e que olhemos para o nosso próprio umbigo e reflitamos sobre as pedradas, tiros e descasos com que a população brasileira menos esclarecida e favorecida é tratada, principalpamente nesse momento em que as eleições estão chegando.

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