quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
O LANCHINHO BÁSICO DE VOVÓ ZEZÉ
Imagine a cena: sala de tv na casa de Zezé, eu num canto, Maurinho no outro e vovó Zezé no meio, com os bolsos cheios de guloseimas, biscoitos, balas, tipo kit sobrevivência para encarar o programa completo do Silvio Santos no domingo sem ter que ir à cozinha, sacou? Ela não queria fazer barulho ao pegar alguma coisa no bolso pra não ter que dividir com ninguém (também sempre tinha alguém pra filar alguma coisa dela), e Maurinho me lembrava no Terraço, nesse dia com a Silvana, que ela tinha uma técnica especial. Era uma virada de cabeça pra determinada direção como que para desviar a atenção e mudar o foco dos curiosos, enquanto a mão boba ia procurando qualquer coisa comestível nos bolsos, e os casacos dela, estrategicamente, tinham muitos bolsos. Bom, assim que encontrava alguma coisa, jujuba, biscoito polvilho, drops, bala toefel, ela fechava a mão e ficava quieta, olhando firmemente em direção à tv, pra ganhar tempo e executar a segunda etapa do plano engana-trouxa-filão-de-bala. Detalhe, a gente acompanhava tudo com a maior seriedade e dando o maior gás àquela embromação toda ( isso no teatro se chama escada, alguém tem que levantar a bola para a atriz principal desempenhar o seu papel). Ela, na maior seriedade, olhava de soslaio, pra ver se pintava uma canja pra botar qualquer coisa na boca, mas a gente não aliviava a barra dela e ficava aquela tensão no ar! Então, ela partia para a execução da segunda parte do plano, que era descascar a bala ou quebrar um pedaço do biscoito de forma que não ficasse engastaiado na corega (maldade!) e ia descascando bem lentamente, só que, carente de acuidade auditiva, ela não sacava que todo mundo ouvia o barulho do plástico ou da peta se quebrando. Mais alguns minutos de imobilidade total, a tensão no ar continua e ela partia para a terceira e última parte do plano, que era levar a sustança à boca. Quando o objeto atingia o alvo, ela começava a simular uma tosse ou pigarro e, rapidamente, mandava pra dentro, crente que tinha enganado a malandragem esbaldada no entorno e se acabando de rir. Isso, convenhamos, no dia do juízo final, vai contar ponto negativo pra caramba, viu Maurinho? Depois de tanto esforço e aquela mistura de coisa doce, salgada, grudenta, em calda, etc, batia aquela sede e ela ia pegar a famosa gasosa, que era uma garrafinha gelada de água tônica verde escura, que ela adorava. Gente, a despeito dessa modalidade de tortura psicológica, na qual seríamos facilmente enquadrados no atual código de defesa do idoso, a gente gostava muito dela! Que saudade de vovó Zezé!
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Vovó era assim mesmo. Me lembro bem também do tamanco de madeira alto que era usava e saía fazendo toc toc. Beijusssss....ENE.
ResponderExcluirAdooooro!!!
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