sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
SHOW DA BRUXA SÓ PRA BAIXINHOS
'Almoço aos domingos, a velha farra, todos vão inventando novos segredos, fica a ausência branca e marrom e a tristeza milenar, mas os meninos voltaram a brincar, como se ainda sentissem o seu olhar'. Eis um trecho da canção "Diana" escrita por Fernando Brant para uma cachorrinha dele e musicada por Toninho Horta. As brincadeiras das crianças eram boas durante o dia mas, quando iam pra cama, ficava difícil pegar no sono, impressionadas com algumas estorinhas, verdadeiras pérolas do gênero como traumatizar mentes inocentes. Nos supermercados, as crianças choravam quando viam aquela maçã grande e vermelha, que a madrasta usou pra aplicar um boa noite Cinderela na Branca de Neve. Assustadas, escondiam-se atrás das saias das mães, pedindo que comprassem pêras ou iogurtes da turma da Mônica. Também, essa estorinha é pra lá de cabeluda! Invejosa com a beleza alheia e não satisfeita com as aplicações de botox e muito menos com a sinceridade do espelho, a malvada contratou os serviços de um caçador, que deveria dar um corretivo na jovem. O pagamento seria efetuado mediante comprovante da execução. Escolada, foi bem clara: não me venha com essa de dar um sumiço na garota do fantástico usando rottweilers não, queridinho... hello!!!! Tem que botar o coraçãozinho dela aqui na mão da mamãe, ou nada feito! Mas a coisa saiu diferente. Impressionado com os atributos da beldade um-sete-um rodrigueana, bonitinha mas ordinária, o meliante aceitou a propina dela, deu um teco num veado que tentava intermediar a negociação e levou o coração da bicha pra madrasta. É script pra deixar o Zé do Caixão constrangido! Como roteiristas, os Irmãos Grimm estão mais para gremlins. O resto da estória todo mundo sabe: ela ficou na maior boa vida com os sete anões, micro empresários do setor de mineração, apaixonados e a tudo dispostos para o bem da rainha dos baixinhos. A exceção era o Dunga, que só pensava em futebol. Mudando o assunto, vou dissecar algumas musiquinhas com mensagens subliminares sutis, mas que dizem muito. Tema aquático: a canoa virou, deixá-la virar, por causa do fulano que não soube remar. Com certeza ninguém tinha curso de arrais amador e esqueceram os coletes salva vidas. Mas aí vem o problema: se eu fosse um peixinho e soubesse nadar, tirava o fulano de tal do fundo do mar... ora, peixe que não sabe nadar? Dá um tempo... peixe que não nada não está com nada. Não justifica a sua existência, não se qualifica pra continuar desfrutando as belezas do fundo do mar. Dançou. Vai virar degustação de tubarão ou entrar pra estatística de performance do anzol de Titoninho. Uma com temática militar: marcha soldado, cabeça de papel, se não marchar direito vai preso no quartel. Gente, a população acuada, à mercê do narcotráfico ou de ações de grupos terroristas e deixam a segurança a cargo de um bando de cabeças de papel, que não conseguem superar um esquerda, direita e vice versa? É preocupante! E tem mais: o quartel pegou fogo, a polícia deu sinal, acode, acode, acode a bandeira nacional! Tudo bem, é um símbolo patriótico super relevante, mas e os explosivos, o paiol de pólvora, não seriam prioridade? Isso vai dar merda, causar uma comoção local na comunidade e até interromper os bailes funk! Parece implicância minha, mas são quesitos de segurança fundamentais, sem falar nos traficantes que aproveitam o tumulto pra levar fuzis, munição e gatorates estocados. Enquanto isso, os bacanas salvando e dobrando a bandeira? Eu posso com isso? Mas, atenção pais: tirem as crianças da sala que agora vêm algumas com temática sexual: fui no tororó beber água, não achei, achei linda morena que no tororó deixei. Gente, tororó era o nome de uma sauna masculina e Rick Martin estava com muita sede. Por mais que a recepcionista fosse uma morena de dar água na boca, beber saliva não matava a sede e a futura capa da playboy não fazia a cabeça do rapaz, tanto é que ele a deixou lá! Pinóquio bem que poderia ser incluído nessa estorinha. Já imaginaram o garoto cara de pau nessa sauna, com uma porção de bofes contando mentiras pra ver o nariz dele crescendo, a moçada bronzeada batendo na madeira três vezes e ainda pedindo mais? Tem a do pau no gato! A gente canta e não se toca, mas vamos retomar a verdade dos fatos, companheiros: acompanhem a narração, em primeira pessoa, pois trata-se de sexo sadomasoquista, com direito a voyeurismo - no caso a dona xica -, que gosta de observar a turma se divertindo: atirei o pau no gato, mas o gato não morreu, dona xica admirou-se com o berro que o gato deu! Faz sentido ou não? E tem mais: tutu marambá, não venha mais cá, que o pai do menino te manda matar! Resumindo: mãe é mãe, sempre compreensiva e, na tentativa de evitar que o marido descarregue o três oitão em Turíbio, ou tutu, como é mais conhecido, passa uma mensagem cifrada via twitter para que ele não tente se encontrar com seu filho depois da aula de balé. Está tudo aí, bem claro. Não adianta fazer vista grossa, pois a criançada entende e fica traumatizada. Pra finalizar esse tema, pesado, diga-se, temos os escravos de jó, que jogavam caxangá, uma competição sexual, estilo maratona orgástica em que vários guerreiros tiram, botam e deixam ficar! A coisa vai esquentando e eles se empolgam na evolução artística: guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá! Chega. Vamos mudar o tema e fechar com uma estória romântica, cheia de momentos de angústia e sofrimento, como deve ser, mas com final feliz: é a do príncipe sapo, nojentinha mas interessante. Recapitulando: uma das sete filhas do rei, esportista, gostava de treinar perto do lago. Concentrada em se preparar para mais uma competição, ao tentar um strike, deixou a bola de boliche cair no fundo do lago. Um sapo estava ali por perto, sem ter o que fazer, apenas sapeando o jogo da moça e se ofereceu pra pegar a bola. Tadinho, mergulhou, se esforçou pra caramba, quase morreu com o peso da bola, mas a força do amor é enorme e a tudo supera. Marketeiro, o sapo tinha uma boa rede de contatos na lagoa. Acionada, a turma se virou, saltitou pra valer e isso o ajudou a resgatar a bola. Ponto para o sapo. A moça ficou emocionada e perguntou como poderia recompensá-lo. Meio jururu, o sapo contou que era um príncipe lindo, mas que tinha sido vítima de uma bruxa malvada que lhe aplicara um corretivo pra ficar esperto e deixar de bancar o Justin Bieber. Arrependido, ele confessou que realmente se achava, mas que aquilo era passado e caso a moça lhe desse um beijo cinematográfico, daqueles de língua, o feitiço poderia ser desfeito, com chances reais de noventa por cento, variando em dois pontos percentuais pra cima ou pra baixo. Entediada naquele reino, onde nada acontecia, sem psp, internet ou sky, a moça topou o desafio, mas se esqueceu do aparelho ortodôntico fixo na arcada superior e, durante o beijo, o sapo ficou preso. Ela, chiando barbaridade e ele, coaxando de dor, foram conduzidos e atendidos no hospital mais perto, conveniado do sus, onde, passados três séculos, esperam a chegada do anestesista ou cirurgião para resolver o caso. Moral da estória: a patricinha não gostava de beijar os garotos do reino com medo de pegar sapinho e acaba numa gelada dessas! Agora, leitor amigo, proponho um teste de memória. como foram várias estórias, sugiro que pegue uma prancheta à la Joel Santana, tente se lembrar o nome e a sequência correta delas. Depois releia o texto e vá ticando o que estiver certo.
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Você tem certeza que fica sóbrio o dia todo? Memória, não me lembro o que é kkkk.. Beijusssssss.ENE.
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