segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PROGRAMA T.O.S.S.E. - O INCOMODADO QUE SE RETIRE

Senhoras e senhores, boa noite! A produção agradece a presença de todos e informa que é proibido fumar, consumir bebidas, comidas e fotografar ou filmar o espetáculo. Por favor, desliguem os celulares e tenham todos uma boa diversão. Nesse momento a sala fica escura, silêncio total, clima perfeito de emoção, um certo suspense no ar e o que temos a seguir ??? Vem a primeira tosse. O segundo aproveita e tosse também. Agora um pigarro (isso deve ser mistura de pinga com cigarro), garganta arranhando e tome tosse!!! Em poucos segundos, um clima de recepção silenciosa e respeitosa aos atores vira uma sinfonia de grunhidos, rugidos, manifestações guturais, um verdadeiro cenário de guerra pneumônica, tuberculótica, resfriática, fica uma merda!!! Fala sério, estou exagerando? Estou não! É uma tristeza! Quem me conhece e está comigo nessa hora já sabe: eu fico muito puto! Em meu momento paraíso, os teatros deveriam, obrigatoriamente e sob pena de fechamento, ter um dispositivo automático preventivo para situações da natureza, de forma que o assento e o cidadão em questão seriam sugados para um calabouço e lá ficariam em silêncio absoluto numa espécie de quarentena cultural. Na minha modesta e isenta opinião, o problema desses infelizes é que não conseguem ficar concentrados para ouvir a beleza do silêncio e a pureza do som das pausas que um espaço tratado acusticamente nos oferece. O nojento tem que tossir, virar-se para o lado, alongar e estalar o pescoço, arrumar a cueca, abrir o mentex ou uma garrafa de água com gás! Olha, pensando bem, quarentena é pouco, essa gente deveria é ficar num ambiente fechado com caixas acústicas potentes de som e de retorno por todo o lado com tosses amplificadas, rangidos de portas, espirros e flatulências pra aprender o que significa alugar o ouvido alheio. Em meu momento compreensão, os teatros poderiam adotar alternativa interessante também: ao comprar o ingresso o sujeito receberia um kit-respeito-ao-próximo que incluiria cápsulas de gengibre, spray de menta, anti-inflamatório em pastilhas, cartela com duas sessões de inalação de soro fisiológico no posto de saúde mais próximo e consulta pré-agendada em clínica conveniada ao teatro com otorrino experiente em patologias da espécie e profundo conhecedor de música clássica. Pronto, com isso metade dos chatos seriam curados e a outra metade iria desistir desse processo preparatório, que eu chamaria de Programa TOSSE: iniciais de Todo Otário Será Sugado Exemplarmente. Agora relaxem e aproveitem que o espetáculo vai começar!

4 comentários:

  1. Só rindo!!! É realmente irritante, mas primo, um rapaz tão lindo,escritor,inteligente e piadista, tem que ficar mais light,kkkkkkkk.... Beijussssssss........ENE.

    ResponderExcluir
  2. Marcinho eu tenho odio de tudo isso principalmente do tal celular...outro dia eu estava em uma reciclagem em sao jose e a pauta era informações externas para o interno e vc acredita que o celular do promotor tocou e o palestrante falou bem auto "Olha a informação chegando gente!!" Todo mundo riu...e justamente o promotor havia pedido para desligarem os celulares...bjus

    ResponderExcluir
  3. Tá aí.. sou irritada tbm! E nem me lembrava q existia MENTEX!
    Mas falando em kit-respeito: porque vc acha q eu às 6 horas da manhã estou de pé? Barulho!!! Na rua com conversas e caminhões dando ré...PIPIPIPI- É BARULHO DA RÉ!- pq estão recapeando o asfalto desde ontem aqui na rua, barulho de vizinhos às 3:00hs conversando no skype.
    E eu até podia dar aula para esses seus cidadãos de teatro, ensinando como é bom ficar sozinho e em silêncio!

    ResponderExcluir
  4. Hahaha.... concordo com vc, Paulo ! Descontando-se as gripes de costume , acho que tem uma boa dose psicológica aí ... algumas pessoas não suportam o silêncio e a concentração !
    Muita boa ! Gostei !!!

    ResponderExcluir