sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
O HOMEM E SEU ESPELHO
O homem na frente do espelho. O quê ele vê? O quê quer e consegue ver? Olheiras que saltam aos olhos, cabelos amassados, grisalhos, dentes amarelados, barba descuidada, rugas e semblante cansado? Mais um dia em sua vida? Ele se vê radiante, pele lisa, cabelos penteados, frescor e sedução, harmonia facial, olhos que sorriem? Sua vida com um dia a mais? Saberá esse homem enxergar oportunidades à sua frente, as prováveis vitórias que o futuro lhe reserva, a mágica transformação da teoria em prática? De alguma forma conseguirá valorizar os ganhos e as conquistas passadas, a experiência adquirida ou aquilo tudo não conta, nada mais foi que obrigação? Esse homem consegue ser gentil consigo próprio, costuma se perdoar, pode brindar-se com mais uma oportunidade? O homem fica ali, pensativo, sereno, ereto, contemplativo. Ao desviar os olhos milimetricamente para os lados vê que o espelho lhe mostra o que há atrás de si. Aos poucos, vem-lhe a sensação de que tudo está a contemplá-lo. Também, tudo atrás dele está a mirar-se no espelho. Perspectivas. Sistemas. Sínteses. Hipóteses. Esse espelho que tudo revela, que a tudo assiste impassível e, desafiador, pode, quebrado, resumir e interromper existências. Saberá esse homem conviver com as possibilidades, com as incoerências e com os desafios? Misteriosamente, tudo a esse homem parece novo e apresenta-se com o frescor da primeira vez, da descoberta, da insegurança e do abondono. Dualisticamente, tudo lhe é repetição, convicção, representação precedida de ensaio, fastio, o não novo. O homem e seu espelho. Saberá esse homem escolher a vestimenta adequada para os eventos que o dia lhe apresenta ou, alienação, calor e desleixo o farão sair nu diante de transeuntes incrédulos, risíveis comentários, desvios de olhares, os espelhos das ruas revelarão a esse homem a sua nudez? Conseguirá esse homem valer-se da crianca que habita suas inquietudes, saberá valorizar e preservar as riquezas naturais a seu dispor, terá sensibilidade para conviver com a sabedoria do sexo oposto a trazer-lhe diariamente seu lado feminino, posto que veio e é metade homem metade mulher? Ao deparar-se com os desconhecidos enigmas diários será esse homem refém de suas armadilhas, vampiro a sugar-lhe a sua própria energia, sereia a iludir-se e arremeter-se contra os rochedos, samurai a desferir-se o golpe sutil em sua honra, jagunço a espreitar-se na encruzilhada para dividir-lhe a garganta ao meio? Ou, lanterna mágica em punho adentrará a floresta de si mesmo com confiança e desprendimento de quem se sabe caçador e caça? Acaso será o carteiro de sua própria sorte a entregar-lhe a missiva tão esperada, saberá desviar-se do Maquiavel de si mesmo a empurrar-lhe no despenhadeiro do egoísmo? O espelho questiona o que o homem reflete.
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Muto bom, mas tive quer ler duas vezes. Um pouco complexo pra essa pessoa. Beijusssssss....ENE.
ResponderExcluirParabéns ao mais novo blogueiro dos Costa !!!
ResponderExcluirAgora é ler e se deliciar !
Bjão !
Tonho