quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

UM CONTO DE FADAS - JOSÉ E MARIA

Você vai ser meu cavalinho! E no segundo dia sou eu! Era assim que a coisa meiga era recebida na rodoviária de Dores de Campos pelos sobrinhos metralhas. Tolinha que era, achava que ia ter férias tranquilas e curtir a dindinha Lia, nossa saudosa mamãe. Quando penso naquele tempo, sinceramente, fico sensibilizado e acho que isso vai contar muitos pontos negativos no dia do juízo final. A coluna dela até hoje sofre as consequências das cavalgadas pela casa, e o que dizer então dos pobres dos joelhos se arrastando pelos tacos cheios de farpas! Tenho que fazer um méa culpa, ela devia ser canonizada, era boazinha demais da conta, gente boa dum tanto! Isso sem contar as acusações de corpo mole e reclamações sem sentido que levava de mamãe, na primeira simulação de que a gente estava pegando pesado. Pensando bem, não vai ter purgatório, vamos direto pro inferno, fazer companhia ao Michael Jackson, Sadam, Idi Amim Dada e outras espécimes desse naipe. O melhor é que ela se divertia com qualquer coisa, ria de tudo, tiros em cavalos nos faroestes, fratura exposta, sermão de padre nas missas de domingo, tudo era festa. Alegre desse jeito, novinha, de fora, carinha de anjo, naturalmente, era muito paquerada e assediada por todos os solteiros cultos e milionários da cidade! Num desses passeios, um pretendente, tímido e cuidadoso, respeitosamente caminhava no mesmo sentido dela, um em cada calçada, separados apenas pela rua, mas tudo bem, isso é detalhe. Ele queria muito saber o nome dela, mas ela declinava em revelar a sua graça e insistia que ele deveria dizer seu nome primeiro. Ah, não, fala você! Eu só falo se você falar! E por aí, vai, essa sem graceza que fica até constrangedor para este narrador tecer comentários sobre patética estratégia de abordagem num relacionamento, por mais que se considere a época recatada, as supervisões e recomendações da madrinha e a bobeira dos personagens em questão, mas fazer o quê? Lá pelas tantas, ela decide revelar a profunda criatividade dos progenitores, mas alerta, antes, que era um nome simples e sem graça! Fala logo a porra do nome, pensava o meigo e recatado varão. Meu nome é Maria José, agora fala o seu, fala, fala! E ele, revela, orgulhoso: José Maria, às suas ordens!

2 comentários:

  1. Tinha que ser com Coisa Meiga kkkkkk.... Muito bem narrado também. Beijussssss....ENE.

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  2. Ah, coitada de mamãe!Os tempos eram outros!

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